
Engraçado como as amizades podem se dissolver no tempo, na distância ou nas mudanças de interesses. Era nisso que eu pensava enquanto ela ia embora. Uma visita decepcionante e rápida demais para ela, mas certamente desnecessária para mim.
Várias despedidas - ocas de minha parte - meus pés já virando em direção à saída, enquanto ela ainda me chamava: queria falar um pouco mais, mostrar-me novamente como virou malandra de cidade grande. Usando as gírias de lá, forçando o sotaque, perguntando mais uma vez se está muito mudada, como uma criança que tenta de todas as formas mostrar o brinquedo novo ou a nova cambalhota que aprendeu.
Mas a excentricidade imatura que antes tanto fascinava se tornou uma espécie de demência e apesar de a genialidade daquela personalidade artística continuar ali, é constrangedor ter que presenciar o esforço agonizante da procura de aplausos no lugar errado; a procura dos meus aplausos, e já não os tenho mais para dar. Não que não haja mais admiração ou afeto, estes ainda estão bem presentes, apenas não consigo mais assistir impassível a esse espetáculo de micagens que eu não paguei para assistir.
Após aqueles poucos longos minutos, eu pensava em como as amizades são capazes de se dissolver no tempo, na distância, nos interesses divergentes. Mas me ocorreu também que aquela amizade sempre foi uma via de mão única, e que ela só continuava, tragicomicamente, porque fui dos poucos a me deixar levar por aquela imaturidade brilhante, por um certo talento incompreendido. Fui a única a permanecer me importando, a despeito do crescimento que não ocorreu, como ocorre com todas as pessoas, com todas as relações.
Então percebi que eu não era a amiga, a confidente, ou a conselheira. Eu era o público, a platéia e o aplauso. Mas cansei de presenciar o monólogo.




2 comentários:
hauhuahuhauhauhauhauhauauhua.... caaara, ri MUITO do teu comentário sobre os estudantes de medicina! huahahauhahauhauhauhuhauaua.... an an ow, meu namorado ia me estudar sozinho!! uhauhuhhuhauhua
sobre o lance da amizade, sei como eh isso... o tempo passa e os interesses mudam. Olha soh q engraçado: nesse feriado eu fui pra terra da minha mae e lá comecei a papear com uma priminha de 6 anos. E a priminha contando q tem uma melhor amiga... eu parei e pensei "daki uns 15 anos, sera q as duas ainda vao se falar?".. Pq as minhas amigas de qd eu tinha 6 anos tao espalhadas pelo mundo, ate sao minhas amigas no orkut, mas eu nem troco scrap o.O
Eu não tenho Orkut deixei minhas amizades no passado. E acho que elas vão continuar por lá pra sempre.
Hoje já não tenho tanta fé na amizade, mesmo assim tento estabelecer laços.
As pessoas mudam. Aquelas amizades do passado foram importantes, hoje já não tem mais uma necessidade a cumprir. Dessa forma buscam-se outras coisas.
Acho que é um caminho natural que esse tipo de coisa aconteça.
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