
Beatles, contracultura, psicodelia. Quem me conhece sabe que esses elementos poderiam ser suficientes para que um filme me fizesse sair da sala do cinema embevecida. Poderiam ser, mas não foram. Surpreendentemente, saí do cinema muito irritada! Irritada porque Across the Universe é um musical tedioso, que usa as canções para disfarçar a falta de atrativos do roteiro. Tudo bem se fosse só isso, mas além de os números musicais serem utilizados a exaustão, não há uma performance sequer que realmente empolgue, seja pelas coreografias, seja pela emoção que os personagens viviam. Há bons momentos, como o alistamento militar do personagem Max, mas há também escolhas grotescas como a psicodelia forçada e enlatada durante a canção Benefit of Mr. Kite e há momentos simplesmente bobos, como o show no telhado do prédio da gravadora, com a polícia chegando e tudo mais, exatamente como aconteceu na última apresentação em público dos Beatles. Uma paródia desnecessária e cansativa, quando a projeção já poderia ter se encerrado há uns 30 minutos.
Um filme pode ser bobo e descartável e mesmo assim ser uma delícia de assistir. O problema de Across the Universe não é ser bobo. É ser bobo e pretensioso. Dá a impressão que os diretores estavam tentando criar uma obra de arte conceitual. As cores, figurinos e cenários são uma festa para os olhos! Mas o roteiro é previsível e a história anda mais devagar que o necessário para se fazer entender. Sabe aquele filme que você assiste até o final e ainda fica com a sensação de que ele não começou? Depois a gente percebe que o filme é lento simplesmente porque não tinha muita história para contar. No início ele é razoável, equilibra bem a história em si com os números musicais. Mas quando começa a ser necessário destrinchar melhor os acontecimentos, os números musicais são empurrados sem critério, quase uns após os outros. Os diálogos tornam-se apenas pequenas desculpas para encaixar as canções, ao contrário do que acontece em bons musicais, em que as performances, músicas e coreografias vêm para acrescentar e não para justificar a realização do filme. Há quem pense que musicais são sempre cansativos, mas Moulin Rouge e Os Irmãos Cara-de-Pau estão aí para provar que isso é puro preconceito.
“Filmes-colagens”, com vários acontecimentos históricos sobrepostos e misturando personagens reais com fictícios podem ser uma experiência fascinante. Podemos citar Forrest Gump, em que o personagem principal supostamente ensina Elvis a dançar e participa dos acontecimentos mais marcantes da cultura americana do século XX, isso para ficar apenas com um que também aborde a contracultura. Mas Across the Universe exagera nas citações, com referências a Jimi Hendrix, uma espécie de Janis Joplin sexy, um Bono que surge para cantar I am the walrus e levar os personagens em uma viagem de ônibus e ácido, a gravadora Apple dos Beatles vira Strawberry Fields, fazendo referência a canção de mesmo nome e o símbolo, é claro, deixa de ser uma maçã para se tornar um morango. Há também os nomes de vários personagens que fazem referências às músicas dos Beatles, como Lucy, Jude, Prudence, o que nos faz saber desde o início como essas músicas serão apresentadas.
O outro motivo que me fez sair irritada do cinema é que por ser um filme baseado na obra dos Beatles, a maioria do público iria adorar, pois Beatles são praticamente uma unanimidade e filmes sobre jovens que protestam contra a guerra do Vietnã também sempre caem no gosto da maioria. Não deu outra: na saída do cinema muitos rostos sorridentes, fascinados com a salada que acabaram de assistir. Nada contra saladas cinematográficas, nada contra filmes que parecem vídeo-clipes, nada contra referências a personagens reais, nada contra musicais. Mas se você gosta MUITO de Beatles e gosta MUITO de cinema assista Across the Universe em casa, para não ter que passar pelo desgosto de, após ver um filme previsível e pretensioso, ainda ter que dar de cara com pessoas satisfeitas achando que entenderam tudo quando não havia nada para entender.
Um filme pode ser bobo e descartável e mesmo assim ser uma delícia de assistir. O problema de Across the Universe não é ser bobo. É ser bobo e pretensioso. Dá a impressão que os diretores estavam tentando criar uma obra de arte conceitual. As cores, figurinos e cenários são uma festa para os olhos! Mas o roteiro é previsível e a história anda mais devagar que o necessário para se fazer entender. Sabe aquele filme que você assiste até o final e ainda fica com a sensação de que ele não começou? Depois a gente percebe que o filme é lento simplesmente porque não tinha muita história para contar. No início ele é razoável, equilibra bem a história em si com os números musicais. Mas quando começa a ser necessário destrinchar melhor os acontecimentos, os números musicais são empurrados sem critério, quase uns após os outros. Os diálogos tornam-se apenas pequenas desculpas para encaixar as canções, ao contrário do que acontece em bons musicais, em que as performances, músicas e coreografias vêm para acrescentar e não para justificar a realização do filme. Há quem pense que musicais são sempre cansativos, mas Moulin Rouge e Os Irmãos Cara-de-Pau estão aí para provar que isso é puro preconceito.
“Filmes-colagens”, com vários acontecimentos históricos sobrepostos e misturando personagens reais com fictícios podem ser uma experiência fascinante. Podemos citar Forrest Gump, em que o personagem principal supostamente ensina Elvis a dançar e participa dos acontecimentos mais marcantes da cultura americana do século XX, isso para ficar apenas com um que também aborde a contracultura. Mas Across the Universe exagera nas citações, com referências a Jimi Hendrix, uma espécie de Janis Joplin sexy, um Bono que surge para cantar I am the walrus e levar os personagens em uma viagem de ônibus e ácido, a gravadora Apple dos Beatles vira Strawberry Fields, fazendo referência a canção de mesmo nome e o símbolo, é claro, deixa de ser uma maçã para se tornar um morango. Há também os nomes de vários personagens que fazem referências às músicas dos Beatles, como Lucy, Jude, Prudence, o que nos faz saber desde o início como essas músicas serão apresentadas.
O outro motivo que me fez sair irritada do cinema é que por ser um filme baseado na obra dos Beatles, a maioria do público iria adorar, pois Beatles são praticamente uma unanimidade e filmes sobre jovens que protestam contra a guerra do Vietnã também sempre caem no gosto da maioria. Não deu outra: na saída do cinema muitos rostos sorridentes, fascinados com a salada que acabaram de assistir. Nada contra saladas cinematográficas, nada contra filmes que parecem vídeo-clipes, nada contra referências a personagens reais, nada contra musicais. Mas se você gosta MUITO de Beatles e gosta MUITO de cinema assista Across the Universe em casa, para não ter que passar pelo desgosto de, após ver um filme previsível e pretensioso, ainda ter que dar de cara com pessoas satisfeitas achando que entenderam tudo quando não havia nada para entender.




5 comentários:
Do modo como vocÊ falou e com o pouco tempo que eu tenho pra assistir filmes eu nem vou chegar perto dessa fita. Vou esperar por algo com mais sustância.
Um abraço.
Beleza! Salvei uma alma!
Como eu disse, se você é louco por cinema e por Beatles também, melhor assistir preparado p/ se irritar!
Eu não concordo com a sua resenha. achei o filme muito bom. Não é um filme pra quem vai ao cinema procurando um filme intelectual. é um filme pra quem quer se divertir e cantar músicas que já são familiares. essa é a razão para as pessoas saírem felizes. não sou fã dos beatles. Mas convenhamos.. é impossível ouvir uma canção deles sem sair cantarolando! Across the universe não possui uma trilha sonora e sim é um filme feito PARA uma trilha sonora. A personagem Prudence só está alí para que a canção seja cantada e todo roteiro foi construído sobre as músicas, de forma a casar totalmente com cada cena. E o melhor de tudo, é que conseguiram interligar cada canção sem deixar o tema central morrer. Claro que ele nem chega perto do fabuloso Moulin Rouge ou Chicago... mas é um filme que merece ser lembrado. Se você acha que não havia nada para ser dito, é uma pena. pois ví tudo o que eu esperava ver nesse filme. EU AMEI!
Tamyris, como você mesma falou você NÃO É FÃ dos Beatles. Essa é uma resenha escrita por uma fã, para quem as músicas dos Beatles representam muito e que não deveriam ter sido "assassinadas" num filme pretensioso, porém fraco como esse.
Não sei, esse post está parecendo aqueles comentários de fãs xiitas que pensam "não toquem na obra dos meus ídolos!". Acho bobagem. O filme não é uma obra prima, mas é uma boa homenagem à banda e à época que a história se passa. Realmente, trechos como ‘Benefit of Mr. Kite’ são tediosos e desnecessários, mas se você lembrar da cena seguinte a inserção de ‘Becacuse’ é linda! O filme pode ser irregular em alguns momentos, mas vale ser visto sim. Ao contrário de você eu me arrependo de não tê-lo visto no cinema...
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