sábado, 16 de fevereiro de 2008

O Princípio do Ateísmo - por Sam Harris


Em algum lugar do mundo, um homem acaba de seqüestrar uma garotinha. Logo mais ele vai estuprá-la, torturá-la e matá-la. Se uma atrocidade desse tipo não está ocorrendo neste exato momento, vai ocorrer dentro de poucas horas, ou no máximo de alguns dias. É essa certeza que podemos obter a partir das leis estatísticas que governam a vida de 6 bilhões de seres humanos. Essas mesmas estatísticas também sugerem que os pais dessa garotinha acreditam - tal como você acredita - que um Deus todo-poderoso e cheio de amor infinito está velando por eles e por sua família. Eles estão certos ao acreditar nisso? É bom que eles acreditem nisso?


Não.


O ateísmo em sua totalidade está contido nessa resposta. O ateísmo não é uma filosofia; não é sequer uma visão do mundo; é simplesmente o reconhecimento do óbvio. Na verdade, ateísmo é um termo que nem deveria existir. Ninguém precisa se identificar como "não-astrólogo", ou "não-alquimista".

O ateísmo nada mais é que os ruídos que pessoas razoáveis fazem diante de crenças religiosas não justificadas.


Um ateu é uma pessoa que acredita que o assassinato de uma única menininha - mesmo que ocorra uma vez em 1 milhão de anos - lança dúvidas sobre a idéia da existência de um Deus benevolente.


(Sam Harris, em Carta a uma nação cristã - filósofo, ganhador do prêmio PEN/Martha Albrand 2005 na categoria primeiro livro de não ficção por The End of Faith)

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