quarta-feira, 9 de julho de 2008

De onde vêm as cuecas?

Usamos dezenas de objetos ao longo do dia e nem paramos para pensar como e onde eles são feitos, quem os fabrica, por que foram inventados. Você já parou para pensar que em algum lugar, neste exato instante, há alguém fabricando embalagens de shampoo, prendedores de roupa, cabides, pilhas, espirais para cadernos? (Sim, essas coisinhas não “se fazem” sozinhas. Existe até gente que é rica só por conta de fábricas de espirais para cadernos, veja só!) Objetos que nos são úteis, mas raramente olhamos para eles e pensamos que existe gente que ganha a vida produzindo aquele objeto, ou parte dele, e que há uma história por trás de todas essas coisas prosaicas que participam da nossa vida. Se raramente paramos para pensar nisso, tanto mais raro seria irmos à busca da história que um determinado objeto possa contar.


Mas como nesse mundo sempre há algum aventureiro disposto a colocar em prática as mais mirabolantes idéias, certo escritor neozelandês, chamado Joe Benett , resolveu se perguntar qual seria a história escondida nas cuecas que ele comprou em uma loja na Nova Zelândia. Não contente em apenas meditar sobre o assunto, ele decidiu viajar até a China (local de fabricação das peças que havia comprado) para conhecer todo o processo de produção de sua roupa íntima. Joe esteve em Xangai, na Tailândia e no oeste da China, nas plantações de algodão. Conheceu centenas de pessoas responsáveis pela fabricação, distribuição e exportação de suas cuecas e dessa saga, voilà!, nasceu um livro intitulado Where Underpants Come From (De onde vêm as cuecas).

Joe afirma que teve curiosidade de saber como eram fabricadas as cuecas porque acredita que no Ocidente as pessoas não sabem explicar de onde vêm as riquezas e bens dos quais usufruem. Ele tem razão. Vivemos alheios às origens da maioria das “ferramentas” que utilizamos em nossas casas, por exemplo. Gostamos de falar da humanidade generalizando todas as conquistas e descobertas do homem. “Nós descobrimos o fogo”, “nós chegamos à Lua”, “nós dominamos as tecnologias”. Mas a verdade é que NÓS pouco ou nada participamos dessas conquistas. Na entrevista ele diz que se a eletricidade parasse de ser gerada não seria ele quem a faria funcionar outra vez. Pois eu respondo, nem eu! A maioria de nossas conquistas está nos campos dos pequenos desafios do cotidiano: pagar as contas, fazer supermercado, arrumar um emprego, ganhar um aumento, ensinar um filho a andar de bicicleta, tirar uma boa nota na monografia, conseguir perder cinco quilos, aprender outro idioma.

Por isso que temos que valorizar muito os “caras” que enfrentaram oceanos para desbravar novas terras ou aqueles que dedicam suas vidas em cálculos e engenharias para conhecer o Universo; os cientistas com suas pesquisas em busca da cura da melhoria da qualidade de vida do ser humano; os “Darwins” do mundo que se embrenham por ilhas inóspitas para fazer florescer o conhecimento humano; os artistas, que de tão dedicados em captar a essência da beleza e da forma acabam por deixar uns parafusos no meio do caminho; os escritores obstinados que se arriscam a perder meses, às vezes anos, para pôr uma história no papel sem ao menos saber se terão leitores.

Somos desbravadores do dia-a-dia, e normalmente não gostamos de pessoas obcecadas por qualquer coisa, mas temos que agradecer aos milhares de cabeças-duras obcecados que tornaram nossa vida muito mais fácil hoje!


A Bia me indicou a reportagem que se transformou neste post. Visitem a Bia!

19 comentários:

Vanessa Pinho disse...

Pura verdade.
Nossa vida hoje em dia é tão agitada, tanta correria, que imagina se vamos para pra pensar em coisas desse tipo.
Coisas tão importante eu diria, e como são...
Fiquei imaginando o que seria de mim sem meu secador de cabelo por exemplo.
Já pensou se ninguém tivesse parado pra pensar nele e fabricá-lo?

Jesus, certamente eu estaria andando por ai com o cabelo parecendo um ninho de pomba bêbada!

E viva esse povo que trabalha enquanto a gente dorme!

Beijão.

O Digitador! disse...

Nossa... ontem mesmo eu pensei em algo parecido.. tipo tava deitado ai peguei meu edredon... e fikei imaginando por quantas mãos.. e quantas vidas envolveram se no processo de criação de tudo oq temos... quantas pessoas ajudaram a levantar sua casa... quantas pessoas tiram seus sustento da mça que você comeu... ai chegamos a conclusao q todos estamos mto ligados... e somos totalmente dependentes um do outro nesse mundo!

Francine Esqueda disse...

Querida, bom descobrir blogs como o seu!!! Agora estou de férias e volto escolhendo a dedo as minhas visitas...
Um grande abraço e bom fim de semana!

"FRANCINE.VS.FRANCINE" e agora "TERAPIAS EXPRESSIVAS"...

Brutos disse...

Isso mesmo digitador somos todos parte de um imenso processo estamos todos interligados uns aos outros.

gostei da capa do livro aquela cueca em forma da bandeira da china. gostaria de uma cueca assim ou igual a do Austin Powers que era a bandeira da Grã Bretanha.

Sr.wil disse...

é isso ae
a felicidad mtas vzs se encontra nas penas coisas, nos pekenos gestos do nosso cotidiano...
exelent post.

grand bjo, tenha uma ótima 5ª.

Milena Gouvêa disse...

Bom, por um lado eu queria ter a grana de caras como o Joe pra acordar num dia e decidir: "poxa, acho vou atrás de quem fez esse despertador" (eu iria acabar na China também!) hahaiuh
E por outro lado eu concordo bastante. Estamos automáticos, robotizados. Entretanto, valorizo bastante esse pessoal que "move" o mundo. Eles, sim, viveram de verdade.

Samira (Milora) disse...

Se não fosse a busca desenfreada deles, muitos objetos não existiriam!

Uma parte do seu texto me chamou a atenção:
"...tirar uma boa nota na monografia, conseguir perder cinco quilos, aprender outro idioma".

A primeira coisa eu consegui com louvor, já o restin...¬¬

:* Ju!

Gui disse...

É verdade! a gente não para pra pensar mesmo!
E são tantas coisas geniais né, se eu soubesse por exemplo quem inventou o "abra aqui" dos produtos..ah eu lhes agradeceria muito, facilita muito a nossa vida hhaahhaa

Ai Ju...qto ao meu blog eu estou um pouco chateada, mas comigo mesma, entende? ninguém me incomodou não, pelo contrário, eu gosto de tods os comentários...mas enfim...

frank disse...

Legal o texto, curti a idéia de pensar sobre as cuecas e outras coisas supérfulas que adotamos no dia -a-dia sem saber o pq.

/viking_criciuma

Beatriz Vieira disse...

ótimo texto!

Achei no mínimo peculiar a idéia de nosso amigo. Cheguei a procurar o livro para ver a capa.. e olha ele aí.
bjs

Victinhu disse...

Nossa Jú, seus últimos dois parágrafos foram lindos. Sério mesmo. Eu penso exatamente assim, da forma como vc escreveu. Pra ser sincero, me sinto medíocre perto dessas pessoas. Eu tento abrir meus olhos, todos os dias, para essas pequenas coisas, mas sinto que o meu cérebro ainda está na fase incipiente da coisa. Admiro - demais - qualquer pessoa que se destaque em qualquer campo. Seja na arte, na ciência, na matemática ou a própria pessoa em sí.
O que mais dói nisso tudo, é ver pessoas que não gostam de outras que são assim, que buscam respostas quando ninguém mais dá valor.
Eu, ao contrário da maioria, fico encantando quando conheço alguém assim. Um dos meus últimos posts, até falei sobre um cara que trabalha aqui na empresa. Como ele, tem vários outros aqui. Entretanto, será uma satisfação enorme poder aprender com um cara que desenvolveu algo que, além de servir pra Petrobras, pode servir pro mundo todo usar. Acho fascinante a nossa capacidade =)

Hj eu curti demais o seu post. Mais ainda o seu ponto de vista.

Um abraço.

Umseteuns disse...

Conto-te tudo, e não escondo-te nada: tentei em vão assinar tua newsletter... uma, duas, três vezes. Mas ele nunca confirmou.

Ou meu e-mail NÃO ESTÁ na lista, ou está TRÊS VEZES!! hehehehehe

Só pra garantir, vou apelar pro modo manual: "adiciona meu email lá, ju?"

leandrobeninca@gmail.com


Ah! E esse post de hoje não vale pra mim.. eu sou leitor voraz de "O guia dos curiosos", "mundo estranho", "conhecer por dentro" e outros do gênero.
Ah! Leitor de rótulo de shampoo e caixa de leite também.
E as minhas cuecas são feitas no Brasil...

O Profeta disse...

E este Sol impõe a claridade
Pôs no celeste a Lua a bocejar
Perdi a conta das estrelas no céu
Ergui-me em bicos para as contar


Voa comigo sobre as emoções


Mágico beijo

"Divagando e Lorotas" disse...

Bem, devo dizer que nunca havia parado para pensar na espiral do meu caderno ou na tampa do refrigerante, no garfo de entorta facilmente(o meu é daquela linha barata da Tramontina), na embalagem bonita de uma sopa horrível que comprei semana passada, no prego que segura o "treco lá da cama", etc, etc...
É a modernidade, a globalização!(todo mundo adora dizer isso,rs)
Então,devo admitir, aliás, devo agradecer aos milhões de humanos criativos que tornaram minha vida mais fácil...
Só uma obs...Sabe pessoa que fez aquela sopa de abóbora, aquela com gosto de água turva, coloque mais empenho, simplificando...sal e tempero. Faça como o amigo(a)da embalagem da sopa, ou seja, bem feito!

Francine Esqueda disse...

Jú!!!!
Que delicia ligar o computador e ver tanta gente bacana, educada e inteligente como você comentando sobre as coisas da minha casinha!!!
Obrigada pela visita!!!
Beijos e bom Fim de semana!!!

~Camila~ disse...

HAHAHA ADOREI O POST@
super criativo hahaha
de onde vem as cuecas?!
ahhaha foi ótimo parabéns!

BEIJOO

titofarpas disse...

Passei por aqui e adorei o blog...
Parabéns e felicidades

Sidimar Rostan disse...

É interessante verificar que, em sua obra, Joe Benett expõe a relação política da cadeia produtiva mundial em toda a sua complexidade – o que, inclusive, ajuda a entender a antítese que pontua as dinâmicas do consumo no ocidente. O princípio de Benett assemelha-se ao enunciado de Karl Marx – sobre a menosvalia e a supervalia. Assim, a cueca poderia ser uma analogia ao pensamento homocêntrico, marcado pela supremacia da cultura patriarcal, onde prevalece a imposição da vontade masculina – que centraliza o processo de desenvolvimento. E, neste sentido, o discurso do autor refere-se à riqueza que pode ser imperceptivelmente gerada com o esforço da exploração do trabalho humano – a exemplo do que ainda ocorre na própria China. Portanto, pensar sobre estes “aspectos prosaicos” pode nos ajudar a submeter o consumo à racionalidade. Então, parabéns pela reflexão!

Sidimar Rostan disse...

É interessante verificar que, em sua obra, Joe Benett expõe a relação política da cadeia produtiva mundial em toda a sua complexidade – o que, inclusive, ajuda a entender a antítese que pontua as dinâmicas do consumo no ocidente. O princípio de Benett assemelha-se ao enunciado de Karl Marx – sobre a menosvalia e a supervalia. Assim, a cueca poderia ser uma analogia ao pensamento homocêntrico, marcado pela supremacia da cultura patriarcal, onde prevalece a imposição da vontade masculina – que centraliza o processo de desenvolvimento. E, neste sentido, o discurso do autor refere-se à riqueza que pode ser imperceptivelmente gerada com o esforço da exploração do trabalho humano – a exemplo do que ainda ocorre na própria China. Portanto, pensar sobre estes “aspectos prosaicos” pode nos ajudar a submeter o consumo à racionalidade. Então, parabéns pela reflexão!