quinta-feira, 31 de julho de 2008

Na Natureza Selvagem - Uma bobagem


Alguns filmes são feitos com a intenção de serem obras de arte ou produções memoráveis. Quando o resultado é positivo, tudo perfeito. Saímos do cinema satisfeitos com a experiência. Outros filmes servem para não serem levados a sério. São idealizados e filmados com a única pretensão de ser um entretenimento banal.
O problema é quando percebemos que o filme a que estamos assistindo tinha sérias intenções de ser um grande filme, mas não foi. Sean Penn filmou a saga de Christopher McCandles, um jovem que, após terminar a faculdade, se manda pelo mundo sem avisar ninguém e vai parar no Alaska, onde morre de inanição, por pura estupidez e imaturidade. A história - baseada em fatos reais - é basicamente essa e a tentativa de fazer dela uma saga poética não foi bem sucedida.
Christopher McCandles, interpretado por Emile Hirsch, larga o conforto da casa dos pais em busca de autoconhecimento e comunhão com a natureza. Até aí a motivação dele é louvável, mas o discurso de burguês que acha bonito ser anti-capitalista é intragável. O jovem de 23 anos rejeita o carro novo com que seu pai quer presenteá-lo, doa para caridade o dinheiro de sua poupança (24 mil dólares) e logo no início de sua aventura queima seus últimos trocados, numa atitude, no mínimo, egoísta. (Já que ele não queria o dinheiro poderia ter doado-o também para alguém que quisesse e precisasse.)
Um jovem reclamando que seu pai só pensa em bens materiais e ainda recitando o mantra "Você só pensa em coisas! Tudo se resume a coisas, coisas, coisas. Eu não preciso de coisas."? Isso seria idealista e revolucionário se Christopher tivesse vivido na década de 60 (ou antes), mas um cara que faz isso em pleno final do século XX é apenas um imaturo que comprou a idéia de rebeldia contra a sociedade e a leva às últimas conseqüências, fazendo sofrer àqueles que o amam e sentirão sua falta.
Eu me identificaria com a rebeldia de Christopher se eu tivesse ainda uns 12 anos de idade. Ele é infantil, cita meia dúzia de autores e se acha muito culto por conta disso. Os motivos de sua mágoa contra os pais são ridículos. Ele tinha uma família normal, com alguns descompassos, alguns desentendimentos mais violentos, mas nada incomum, nada que justificasse ele sumir sem mandar notícias, deixando seus pais desesperados. O filme quer nos fazer crer que os motivos do rapaz são legítimos e que os pais dele mereciam aquele sofrimento para se tornarem melhores. Eu só consegui sentir pena dos pais dele e pensar, “custava mandar um telegrama de vez em quando?”
A idéia de Christopher é interessante. Sair pelo mundo pedindo carona, desfrutando das coisas naturais, tomando banho de rio, dormindo à luz do luar, conhecendo gente diferente daquelas do seu convívio social. Acredito, sim, que isso possa levar a um maior auto conhecimento. Jack Kerouac e sua obra baseada em suas andanças de andarilho e caroneiro estão aí para provar. Mas o que o Christopher McCandles fez foi quase um suicídio: viajou sozinho para uma terra inóspita, como o Alaska, sem nenhuma forma de comunicação com a civilização e sem provisões suficientes. Lá o jovem acaba por cometer erros primários, como comer plantas venenosas e matar um alce inteiro sem preparar alguma parte para o consumo imediato, deixando que as moscas e larvas tomassem conta da caça. Mas o que poderia se esperar de um cara que bota fogo em dinheiro? Não, eu não consigo ver nada de idealista numa pessoa que deixa sua família sem notícias por mais de um ano e se leva tão a sério que é capaz de dar lições de moral a um homem idoso que ele encontra em suas andanças por aí.
Mas, dos males, o pior: a atuação de Emile Hirsch é... estranha. A primeira cena dele com falas já me deixou incomodada. Canastrão foi a primeira palavra que me veio à mente. Não sei explicar porque não gostei da atuação dele. Porém a maioria das críticas que li – elogiando o ator – também não explicava o porquê de terem gostado de sua interpretação. Espero que aqueles que gostaram não justifiquem isso somente pelo fato de Hirsch ter emagrecido 20 quilos para filmar o desfecho da história! Emagrecer horrores não prova que o cara é um bom ator. Prova apenas que ele tomou as “bagas” certas!

Em compensação, (mas não compensando tanto assim) o filme tem lindas locações.


Obs.: Antes que você diga, ah mas esse filme está concorrendo a dois Oscars, eu informo:
ele está concorrendo ao Oscar de melhor ator coadjuvante, para o ator Hal Holbrook (que está mesmo ótimo) e Oscar de melhor edição. E quem já esteve numa ilha de edição sabe que editar é difícil mesmo, então qualquer filme que não pareça os trabalhos de TV que a gente fazia lá na Unisul já merece o Oscar de melhor edição. A trilha sonora é de Eddie Veder, vocalista do Pearl Jam.

24 comentários:

Alexotan disse...

Esse idiota merece o Prêmio Darwin! Pelo menos morreu antes de procriar. Gene ruim tem que morrer com o hospedeiro.
O Jon Krakauer deve ter escrito esse livro só para constranger a família do mané. Pois é uma história que não merecia ser contada, a não ser por documentário: "Como morrer estupidamente no Alaska". O cara é burro até o mitocôndria.
A única coisa que vale a pena no filme é mesmo a trilha sonora, feita por encomenda. Pois velhinhos sempre são bonitinhos na tela. E a expressão era uma só: enrugada.
Sigam o conselho da July, fujam dessa bomba!

Conde Vlad Tepish disse...

Querida Juliana, é um prazer estar aqui novamente... Em relação ao filme de Mr. Penn, aqui vão algumas colocações do conde: primeiro eu acho que esse discurso do Christopher não seria nem idealista e nem revolucionário em nenhuma época, ele era muito mimadinho e imaturo isso sim, e tens toda a razão quando dizes que esses tipos, que graças ao camarada sinistro Gramsci, pululam por aí, realmente só fazem seus pais e amigos sofrerem mesmo no final... é que esse Penn 'acha' que pode fazer um filme completamente irresponsável desses que ninguém vai perceber e todos irão adorar! No final, o filme só age contra o próprio Penn, ao expor o quanto ele gosta de desperdiçar seu tempo produzindo tolices como essas! Pelo menos salvam-se a fotografia, e o fato da película em questão estar concorrendo ou não ao Oscar para mim, pelo menos, é irrelevante!
Excelente post Juliana, e olhe, eu prefiro assistir os trabalhos de vocês lá da Unisul do que assistir estes filmes aos quais nem consigo terminar de ver por causa da irritação que os mesmos me provocam!
Beijos, nhac, nhac, nhac, voei!

Unexpected Boy disse...

Infelizmente a idéia de cinema hoje esta muito defasada, o que é uma grande pena. Para mim é uma das artes mais bonitas.
Concorrer ao oscar acho que não significa muita coisa, penso. Especialmente quando é tudo pago, não a premiação (não sei) mas a inscrição. Lógico que todos sabem que o oscar é uma especie de concurso onde os filmes são inscritos e não selecionados aleatoriamente, né? Ou seja, apenas uma forma de promoção, marketing.
Não sei, ando muito discrente deste mundo. Tá bom, tá bom... meu gosto também é bem duvidoso...

Sabe, queria ver esse filme... vixi... não quero mais...

Não ando com humor para ver rebeldes sem causa...

Valeu a advertência...

viva ou exista disse...

kkkkkkkkkkkkkkk

acabou com o filme .....

e eu nem assisti...........
e muito menos sei qual é o filme
kkkkkkkkk

menos R$3,50 pra gastar na locadora...

grande bj e ótimo find semana

Gui disse...

Nossa, Ju! depois de ler isto já odiei o personagem no ato!

Pelo menos a trilha sonora deve ser boa.Pearl Jeam \o/

brijão!!

Victinhu disse...

Ainda não assisti o filme, mas gostei da história, pelo pouco que falou. O ato do rapaz talves seja imaturo, mas não gosto de julgar assim de primeira. O ser humano, ao mesmo tempo que faz coisas maravilhosas, é capaz de tomar atitudes inexplicáveis. Vai saber como estava a cabeça do rapaz pra ele ter feito isso...

Só de ser baseado em fatps reais, eu já gostei. Adoro filmes que procuram retratar a vida de alguém. Agradeço pela dica, mas também pela crítica, já que poderei assistí-lo com outros olhos.

Vlw Jú.

Brutos Aguirre disse...

a trilha sonara deve valer a pena.

Magalices disse...

Assisti o filme essa semana. Também achei radical demais, mas em alguns aspectos se fossemos analisar o dinheiro anda consumindo muito nossa vida. Não vivemos sem ele e cada vez mais dependentes dele.

Acho que a idéia de sair por ai é uma grande experiência de vida. Mas concordo quando se diz que o menino é minado. Também acho que por causa da família dele os pensamentos sociais e a raiva da sociedade foram uma forma de fugir. Pena que ele foi pego de surpresa pelo destino. Porque pelo roteiro do filme, parecia que depois dessa experiência ele iria voltar para casa. Durante a aventura ele entendeu a história toda da vida. Um pouco tarde demais, uma pena. Como ele mesmo escreveu, a felicidade tem que ser compartilhada (algo assim, sou horrível de memória).

Existem pessoas que não conseguem entender o mundo, ele foi mais um.

OBS.: a trilha sonora é muito boa! Vale o filme hehe

Beijos!

Giglio disse...

Oi Ju!

Cara, como é a interpretação das coisas, né? Eu achei o filme fantástico, APESAR da total imaturidade e egoísmo do McCandless. É prova de que nem sempre as pessoas são consistentes, ou sabem onde estão pisando. Enfim, experiências diferentes. :)

bjs!

JLM disse...

foi inevitável ao assistir o filme não lembrar de David Thoreau. esse sim demonstrou oq é viver em paz com a natureza sem deixar de ser humano. o autor do livro sobre a vida de McCandles q inspirou o filme cita inclusive q ele se inspirou principalmente em Thoreau pra empreender sua jornada. Acho q o pobre rapaz deve ter entendido errado as leituras q fez, coitado, e pagou com a vida por isso.

1 abraço.

Anônimo disse...

Juliana, talvez eu estaeja bem atrasado para escrever um comentário sobre o seu post, porém não poderia deixar de fazê-lo. Assisti o filme duas vezes, uma antes e outra depois de ler o seu post. Na primeira, achei o filme belíssimo, ótima adaptação, trilha sonora sem comentários (sou fã de Eddie), fotografia primorosa, enfim, um dos melhores filmes que já assisti. Já na segunda, além de continuar com a mesma opnião da primeira, percebi o quanto de asneiras você falou. Claro que cada um tem sua percepção sobre tudo e respeito opiniões contrárias as minhas, mas você realmente parece ter 12 anos. Primeiro você começa escrevendo "Alguns filmes são feitos com a intenção de serem obras de arte..." e blá, blá, blá. Pelo que vem depois deste seu primeiro parágrafo, imagino que na sua opnião uma obra de arte ou produção memorável tenha sido Titanic. Daí então você consegue escrever coisas ainda mais fúteis.
Segundo parágrafo: resumir o filme dizendo "Christopher McCandles larga o conforto da casa dos pais em busca de autoconhecimento e comunhão com a natureza" é muita falta de conteudo e sensibilidade. A cabeça de um ser humano é muito mais complexa (pelo menos da maioria) do que este seu simples comentário.
Mais, o cara doa todo o dinheiro da poupança para a caridade e no fim do parágrafo você diz que ele teve uma atitude egoísta por queimar uns trocados, é demais.
Esta atitude dele foi como uma prova de que ele conseguiria conseguir chegar ao seu objetivo, como alguém que joga fora uma carteira de cigarros cheia para provar a si mesmo que é mais forte que o vício.
Esta minha interpretação da cena pode não ser a mais coerente, mas dou graças a Deus que não tenho o seu raciocínio limitado.
Quarto parágrafo: você afirmar aqui que ele tinha uma família normal, com alguns desentendimentos mais violentos, isto é um absurdo. Fico imaginando o que seria uma família conturbada para você.
Em nenhum momento o filme mostra que os motivos do presonagem principal são legítimos ou que a família merecia o sofrimento. Na verdade mostra a fragilidade do homem, as dificuldades de cada um em sair da inércia e correr em busca do objetivo desejado, de reconehcer o erro e voltar atrás, de sempre querer mais do que precisa. Tudo isso é notado em cada um dos personagens e não só no protagonista.
“Custava mandar um telegrama de vez em quando?” - que comentário ridículo.
Quinto parágrafo: A única coisa sensata que você escreveu. Sim, ele foi ingênuo. E isso acontece com todos nós quando não nos preparamos para aquilo que almejamos.
Porém, qualquer um pode ensinar alguma coisa a qualqer um, mesmo um jovem a um idoso.
Bem, teria mais coisas a escrever sobre esta sua visão limitada e simplória das coisas, mas paro por aqui. Complementarei outro dia.

Juliana Dacoregio disse...

Vamos lá: primeiro que destilar tanto julgamento de forma anônima é coisa de gente covarde. Quanto a isso não há o que discutir.
A sua visão é interessante, pena que seu apaixonamento pelo filme foi tão grande que lhe fez permear seu comentário com julgamentos pessoais sobre meus gostos cinematográficos, sem ao menos se informar um pouquinho melhor. No meu perfil, aqui mesmo neste blog e no blog Amálgama você pode saber um pouquinho mais da minha visão sobre cinema. Não, eu não tenho 12 anos. Se eu tivesse, amaria este filme e ficaria tão apaixonada por ele como você ficou. No mais, é interessante saber que você se deu ao trabalho de assistir ao filme novamente só para poder escrever este comentário aqui. Eu lamento por você, que assistiu àquela bomba pretensamente poética duas vezes. Mentira, não lamento, não! Assista mais umas cinco vezes para captar todas as nuances e continue deixando comentários por aí escondido atrás do anonimato.

Leandro disse...

Assisti esse filme há uns dias atrás e gostei. Ao contrário do que você imaginou, gostei do seu comentário sobre o filme, mas discordo em partes. Não achei uma bomba.
Concordo com você que o Christopher McCandles seja mesmo um menino mimado e uma maluquice ir pro Alaska. Além disso, ele poderia até estar com raiva dos pais, mas a irmã dele merecia alguma satisfação.
Discordo de você na parte do dinheiro, ele não via sentido nos bens materiais, coisa bastante valorizada pela sociedade. A burocracia também é algo que a sociedade deve parar para pensar. Por exemplo no episódio do rio, em que o policial disse que ele teria que esperar 12 anos para tirar licensa para remar num rio, acho isso meio non-sense. O rio está ali para todos. Claro que McCandles foi irresponsável, pois entrou numa corredeira que poderia até antecipado o fim da aventura. Mas esperar 12 anos para poder remar num rio é demais!
Outra parte que discordo de você é na lição de moral que ele dá num idoso. Não é pelo fato da pessoa ser idosa que ninguém pode dar uma lição de moral nela. Os professores sempre dizem que também aprendem bastante com seus alunos...
O lema de viver da natureza, sem precisar de dinheiro ou emprego é para refletir, mas uma outra questão é que o homem perdeu sua característica primitiva, do mesmo jeito que perde os cisos, isto é, a evolução da espécie apagou essa característica do DNA. O homem hoje só caça por esporte, como ele fez ao matar o alce. Agora tem um pouco de hipocrisia dele caçar de rifle (tem que comprar arma e balas com dinheiro e numa loja na civilização).
Agora o que me fez refletir muito foi a frase: A felicidade só é de verdade quando compartilhada. Durante o filme inteiro, os momentos felizes dele foram junto com as pessoas que ele ia conhecendo ao longo da viagem. Apesar de estar numa aventura solitária ele estava sempre acompanhado de pessoas.
E você é mesmo engraçada: "E quem já esteve numa ilha de edição sabe que editar é difícil mesmo, então qualquer filme que não pareça os trabalhos de TV que a gente fazia lá na Unisul já merece o Oscar de melhor edição."
Hum, vou dar uma lida nas suas críticas sobre outros filmes.
Beijo

Anônimo disse...

Infelizmente muitos de vocês estão analisando a opinião do personagem e esqueceram que de falar sobre o filem em si!!!
Eu acho que todo filme vale a pena de ser visto pelo menos uma vez!
Que pena que muitos ainda seguem a opinião de outros antes de conhecerem uma obra e teceram a sua própria opinião.
Tremenda ignorância e preguiça!

Anônimo disse...

Primeiro, informe-se dos fatos; depois, pode distorcê-los o quanto quiser.
(Mark Twain)

heresia loira é não ter capacidade de viver, é ser extremamente burro e insensível... não ter capacidade de criar, ai criticar fica fácil...
provavelmente entendem e não sentem... desnecessário... simples lixo, cruzes, esse blog existe? sim pessoas assim ruins e fúteis tbm, mas é engraçado,a tamanha ignorância... hahahahahahahaahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
sério? vai te conhece imundícia!

Ane disse...

Pelo que voce escreveu aqui, penso que voce leva a sua profissao como uma obrigatoriedade de fazer critica a tudo.
Desenvolveu sua opiniao muito artificialmente', trabalhou muito com "criticas chavoes",foi muito preconceituosa e se equivocou demais. Pense bem, se ele fosse mimado ele deixaria o "conforto de sua casa" pra ir cruo pro Alaska ?
"Isso seria idealista e revolucionário se Christopher tivesse vivido na década de 60 (ou antes)" -> desde quando ideologia está relacionado a moda?
Erros primarios? Voce é que está cometendo isso fazendo essa critica chula. Insensibilidade, cabeça MUITO fechada e a incapacidade de se colocar no lugar do outro (e ver a historia de angulos diferentes). Incrivel, tudo isso em um texto só!
Mais uma "do contra" sem fundamentos, só pelo simples fato de ter o prazer de ir no caminho oposto ao do fluxo.
Enfim, mais um potencial jogado no lixo.

Juliana Dacoregio disse...

Eu já sabia que o cinema desperta paixões. Mas depois desse post, tive a nítida noção de que talvez algumas pessoas sejam capazes de matar e morrer para defender seus filmes preferidos.

A cronista Martha Medeiros diz que não se deve levar muito à sério os textos opinativos de um cronista, pois muitas vezes ele exagera suas opiniões até para gerar uma certa polêmica ou para que a reação dos leitores seja maior e mais apaixonada. No meu caso, nunca fiz isso, sempre tento ser comedida, mas neste post acabei "metendo os dois pés" mesmo. Mas não retiro nada do que disse. Achei o filme uma tentativa muito pretensiosa de contar uma história que parece ser de um revolucionário, mas na verdade é só a história de um adolescente que achou que as chaves do auto-conhecimento são os excessos e, por conta disso, acabou se dando muito mal. Claro que a coragem dele é invejável. Muitas vezes eu também gostaria de ter a coragem de desligar-me por um tempo do mundo capitalista e cortar todos os laços de dependência com meus pais. Mas acredito que a impetuosidade dele atravessou a tênue linha que separa coragem de burrice. Porém, ele não foi o primeiro, nem será o último jovem a acreditar na história de que "o caminho dos excessos abre as portas da percepção". Essa frase, de Willian Blake, normalmente é usada para se referir ao excesso do uso de drogas, mas pode ser utilizada também no caso de McCandle. Ele foi fundo no objetivo de viver só e explorar o mundo, sem pensar nas conseqüências. Esse não é o problema maior. O que mais me irritou, no personagem, foram as justificativas que ele deu para sua aventura.

Juliana Dacoregio disse...

Minha crítica é mais ao personagem do que ao filme. Se bem que aquelas tomadas "diferentonas", tipo um close no cano de descarga, pareceram uma tentativa mal-sucedida do diretor Sean Penn, de parecer cult.

Stefano disse...

Realmente crítica muito fraca, quase sem sentido analisar esses pontos subjetivos sobre o personagem. Ele conseguiu prover sentido à própria vida. O que pode haver de melhor ?

Perdi meu tempo aqui.

Juliana Dacoregio disse...

Sim, ele deu sentido à vida, morrendo cedo porque se deslumbrou com as idéias de alguns pensadores. Natureza Selvagem é o "cult" de adolescentes e cabeças fracas! Cada vez mais me convenço disso.

Stefano disse...

Essa é a tua opinião. Eu não faria o mesmo que ele. Mas tu julga conforme um padrão de vida à ser seguido. Nâo parece ter lido "Deus um delírio".
De qualquer forma, que bom que todos somos diferentes.

toni disse...

Ola ju, tudo bem? Eu achei que já tinha passado o prazo de validade para comentar este seu post, mas depois de ler as últimas manifestações decidi deixar minha opinião. Como voce já percebeu depois do Across the Universe nossa opinião sobre cinema nem semnpre está de acordo. Eu gostei da Na Natureza Selvagem. Não achei um filmaço nem algo inesquecível. Mas tive com o filme a mesma sensação quando li o livro na década passada. Nao achei que se tentou glorificar a trajetória e as decisões do personagem do filme. Muito pelo contrário, em minha opinião o filme não toma partido. simplesmente conta a uma história. Não concordo com nenhuma das decisões do Alexander Supertramp mas não acho que um filme não possa ser filmado só porque seu personagem nos deixa indignado por tantas decisões equivocadas e, na minha opinião, estúpidas.
Agora o que realmente me motivou a este comentário fora do prazo foi a veemencia de alguns comentários que fazem agressões diretas contra a autora desse blog. Concordar e discordar faz parte de qualquer aspecto da vida. Essa agressividade anonima é ainda mais estúpida do que as atitudes do personagem do filme. Sempre vou respeitar muito quem externa sua opinião de maneira franca e sem medo, assumindo a responsabildiade por suas idéias.

Juliana Dacoregio disse...

Legal você comentar aqui, Toni. Você falou muito bem sobre a "agressividade anônima". Os comentários mais pessoalmente ofensivos são todos anônimos ou assinados com apenas um nome que não leva a endereço on-line algum. É a crítica gratuita e o julgamento sem fundamento de quem não tem nada a dizer além de julgar uma pessoa por uma opinião isolada que ela publica e assina embaixo. No fim das contas, já estou até me divertindo com tanta exaltação por conta de um filme. E também já estou achando que o cinema desperta até mais paixão e ódio do que as religiões.

Stefano disse...

Concordo com o Toni.
Abraços!