segunda-feira, 28 de julho de 2008

Saudosismo Cinematográfico e Paixões Adolescentes




Os cinemas que eu freqüentava em minha infância e pré-adolescência eram dois: Cine Center e Cine Ópera. O Cine Center era no único shopping que havia na cidade e era um cinema bem pequeno. Foi lá que assisti a um filme sozinha pela primeira vez. Era a Bela e a Fera. Meu irmão mais velho me levou e depois foi me buscar. Não sei por que ele teve essa idéia. Não fui eu que pedi. Ele falou, “July, está passando A Bela e a Fera. É bem legal. Quer ver? Eu deixo você no cinema e depois volto pra te buscar.” Acho que ele quis estimular minha independência. Aliás, eu nem era muito criança. Acabo de conferir o ano de lançamento do filme, foi 1991, portanto eu tinha 11 aninhos. Claro, que eu a-d-o-r-e-i ir sozinha, me senti super adulta. Mas como já era um tanto paranóicazinha fiquei olhando para trás o tempo todo com medo de que alguém tentasse me degolar. (Tipo, o cara teria que ser muito, mas muito psicopata mesmo, pra ir numa sessão vespertina de A Bela e a Fera, com o intuito de degolar uma menina de 11 anos... Mas, vai dizer isso pra mente morbidamente fértil de uma garotinha!)

Além dessa experiência de grande valor para a formação do meu caráter, freqüentei muitas outras vezes o Cine Center e mais ainda o Cine Ópera. Este último era uma sala enorme, com um cheiro de carpete/mofo/cadeiras de couro. Há gente que gosta do cheiro de gasolina, então não estranhe o fato de eu gostar do cheiro de uma sala de cinema antiga e mofada. Lá tive noites de domingo memoráveis! Foi onde assisti a Lendas da Paixão, filme que estava dando o que falar entre as meninas do Colégio Madre Teresa Michel, por um único e simples fato: a bunda do Brad Pitt aparecia em uma cena! Fui assistir lógico, mas na ida eu e minhas amigas resolvemos cortar caminho pela Pracinha do Congresso. Uma delas viu um "cara mal encarado" e gritou! Nós corremos, disparadas pela praça. Bem, parafraseando Drummond, tinha uma árvore no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma árvore! E no meio do caminho da árvore tinha a minha cara em alta velocidade. Fiquei com o rosto todo arranhado, e por sorte não levei uma galhada no olho. Ficou feio mesmo e todo mundo perguntou se eu não queria embora. (Mentira, ninguém perguntou nada, minhas amigas estavam nem aí pra minha cara de boxeadora pós-nocaute. Estavam era rindo muito, isso sim.) Bom, mas mesmo que me sugerissem ir pra casa, você acha que com 14 anos de idade eu iria perder a chance de ver o derriére do Brad Pitt? Imagina! Meu rosto retalhado poderia esperar.


Foi também naquele cinema que me apaixonei por Keanu Reeves (e é nesse momento que meu namorado está praguejando e maldizendo o minuto em que começou a ler este post). Sim, Keanu Reeves foi minha primeira paixão. Fui pra casa suspirando após assistir Velocidade Máxima. Você sabe o que é uma adolescente com uma paixão platônica? Olha, quando a gente tem 12, 13 ou 14 anos de idade as paixões por artistas são ridículas! Porque a gente fica mesmo imaginando situações, achando que é possível encontrar o cara em uma viagem à Disney, por exemplo, e ele se apaixonar pela gente. Aí você se imagina indo comer um hambúrguer com ele, ele mexendo no seu cabelo e dizendo o quanto você é linda, vocês dois indo para a mansão dele, você acordando de manhã e ele trazendo o café na cama... A polícia chegando e prendendo-o por pedofilia... Não, isso você não imagina, claro, mas nessa história mirabolante seria o único desfecho que faria sentido. Mas, sério, uma pré-adolescente apaixonada por um astro qualquer é uma lunática! Pode ter certeza que ela tem esses tipos de delírios e acredita que são perfeitamente possíveis. Hoje em dia, não. Você, no máximo, imagina que se, por acaso, vir o Brad Pitt no aeroporto você vai correr em direção a ele, se ajoelhar, gritar, talvez tirar a roupa e implorar para que ele a possua, mas você sabe que na melhor das hipóteses vai ganhar um pedaço de papel com o nome dele escrito!

Mas saindo das platonices adolescentes e voltando ao amor eterno pelo cinema, eu me sentia em casa no Cine Ópera. Hoje lá não há mais uma telona, apesar de ainda acontecerem grandes interpretações e recordes de bilheteria: noite do descarrego, reunião dos empresários, os 318, fogueira santa e outras superproduções. Agora minha cidade tem outros cinemas, nos dois shoppings que hoje existem lá. Mas o cinema de outrora, naquela sala que mais parecia um auditório faz parte do meu passado. Hoje vou ao cinema e não sinto mais o cheiro de carpete e das poltronas de couro. Há apenas aquele cheiro de limpeza, de lugar bem desinfetado. É por isso que sexta-feira passada ao ir ao cinema do Centro Integrado de Cultura, aqui em Florianópolis, me bateu um saudosimo, uma sensação de “volta às origens”. Era uma sala pequena como a do Cine Center e em estilo meio décadence avec élégance como o Cine Ópera. As poltronas forradas com tecidos vermelhos e o carpete bege, onde quase dava de ver os ácaros pulando e festejando. Aquele cheirinho de mofo que só os cinemas antigos tinham. Aaahhh... respirei fundo e me senti em casa!

Estava tudo muito bem, tudo muito cult, tudo muito nostálgico, até que começa o filme. Na Natureza Selvagem, com direção de Sean Penn. Esse é assunto para um próximo post. Só vou dizer que em 10 minutos de filme eu já queria estar no ultra-super-hiper tecnológico e capitalista Cinemark vendo qualquer pancadaria movie`s e me entupindo de pipoca e Coca-cola...

19 comentários:

VINNY VALCANAIA disse...

Eeeeh Nostalgia Safada!
Eu me lembro do primeiro filme que assisti no cinema: "Uma Escola Atrapalhada", lá em Curitiba, infelizmente não lembro qual o cinema.
Ter assistido "A Família Addams" no cinema também foi inesquecível, pois lembro-me da fila que dobrava o quarteirão, para rir com as peripécias funestas da turma na tela nesse fenômeno de bilheteria. Outra passagem marcante dessas aventuras cinematográficas na tenra idade, foi assistir "Street Fighter" (pois é, o passado condena...) no Cine Milanez já em fim de carreira, o famoso "cinema de sacanagem" da cidade, pelo qual a gente passava e via aquelas mulheres arreganhadas e cheias de tarjas pretas pelo corpo todo.
Se tu achava uma delícia o cheiro de mofo e velhice no Cine Ópera, onde eu assisti "Demônios da Noite" e "O Último Grande Herói", iria ficar abismada com o cheiro do Milanez. Hauehauehuae!

L.S. Alves disse...

Tem um meme sobre cinema pra você participar. Está na postagem do dia 28/07.
Um abraço.

Gui disse...

Uaaal!! Café da manhã por Keanu Reeves? nada mau né!! hehehe
Nem vou dizer por quem eu era apaixonada quando criança ahuhauehuha lamentável!!

Salas desinfetadas? só se aí em Floripa, Ju..aqui em Cri, dependendo do dia tem cheiro de chulé afff hehehehe

Adorei o texto :)

Lendas da paixão é lindo demais!!! mas não recordo da cena em que aparece a bundinha do Brad, logo eu, tão "antenada" nessas coisas hahahha

beijoca!!!ótima terça!!!!

Samira (Milora) disse...

Uau, menina... Me bateu uma saudade imensa da minha infância lendo isso!

O meu primeiro filme no Cine Ópera foi "Pinocchio", com a classe da escola. E isso foi em 1991, coincidência. Lembro que me senti maravilhada com o visual do cinema, haha.
Como nessa época eu tinha 7 anos, perguntei um dia para a minha mãe pq nunca tivemos a oportunidade de ir no Cine Milanez, HAUSHAUHSUAHSUAS! Sim, eu era MUITO inocente... percebe-se, rs.

Outra história interessante foi no Cine Center: fui toda faceira com as amigas assistir "Débi & Lóide" em 1995, e quando saí da sala vi que minha calça novinha estava cheia de... chicletes! Queria morrer de tanta raiva.

Saudades de tudo isso.
=*

Juliana Dacoregio disse...

@Brutos, tu estás exagerando um pouquinho pra ficar mais engraçado, né? Fala a verdade!

@Samira, meu primeiro filme em uma cinema tbm foi no Ópera e foi Os Trapalhões e o Rei Pelé. Chicletes na calça em um filme do Débi e Lóide tem tudo a ver, né?

@Gui, como assim, não vai dizer por quem você era apaixonada? Ah, tem que dizer! E me afinei de rir quando li que as salas em Criciúma dependendo do dia tem até cheiro de chulé! É, prefiro mesmo o cheiro de mofo! Credooo!!!

De disse...

eu sou do tipo que gosta de cheiro de gasolina e me lembro de maravilhas do cine opera. Lá assisti a "pequena sereia" no minimo 8 vezes e isso me deixava bem perto do cheiro da minha mãe. Aquele cheiro de mofo era bom, mas o perfume do cabelo da minha mãe era incomparavel.
Eu fui bem feliz naquele cinema, apesar de nunca ter encontrado uma arvore no meio do caminho.

=***

Gui disse...

hahahahahaha

tb prefiriri cheiro de mofo \o/

Aaaah Ju eu tnho vergonha! eu sou da roça, né!! tu vai rir ahsuhsuhaushasa

Conde Vlad Tepish disse...

-Doce Juliana, tem razão, como sou um vampiro educado em Gloucestershireharvardcarnarvonhighlandsshire eu peguei o costume chato do tratamento formal em demasia... E tu tens um nome tão bonito 'Dacoregio'!!! Italiano correto?
-Não! Japonês!!!
-Igor! Contenha suas declarações!
-Sua Excelência quer um nome mais italiano que 'Dacoregio'? Vampiro tatú!
-Bom, na realidade o que couve no agrião, foi que certamente este confuso vampiro a confundiu com outra belíssima garota de outro blog e trocou os nomes... Mas eu vos peço mil desculpas e prometo que não repetirei o mesmo erro miss Pinho... Digo, Camila... Digo, La Maligna... Digo...
-É Juliana, Tapir com asas!
-Ahh sim, Juliana! Adorei o post sobre a nostalgia de cinema! Nunca pensei que alguém fosse se lembrar do cheirinho único que uma sala de cinema tem! Ou tinha, faz séculos que não vou mais ao cinema... Mas você lembrou, obrigado Pi..Digo Ju!
E aqui vai um beijo do conde, e nada de alho nas janelas certo? Nhac, nhac, nhac, voei!
-Tchauzinho Juliana, desculpe qualquer coisa, é que esse vampiro é tantã mesmo!

Chá disse...

"Meu rosto retalhado poderia esperar."

huahuahauhaua

Ainda bem que vc não estava indo assistir a um filme de terror, se não as pessoas iriam pensar que você tinha ido "a caráter", ou que seria um personagem que saira da tela.

Chá disse...

"Meu rosto retalhado poderia esperar."

huahuahauhaua

Ainda bem que vc não estava indo assistir a um filme de terror, se não as pessoas iriam pensar que você tinha ido "a caráter", ou que seria um personagem que saira da tela.

Samira (Milora) disse...

Pior que tem, haha!

Mas a minha calça era novinha, modelo "fusô", ainda! kkkkkkkkkk!
Haja gelo p/ tirar, haha.

Vanessa Pinho disse...

Primeiro, algo contra quem goste de cheiro de gasolina? :P
Eu amoooo!

Eu fui poucas vezes ao cinema quando era criança... Mas lembro como se fosse hoje da primeira vez... Eu e minha irmã fomos assistir "Lua de Cristal" da Xuxa... E lá pela metade do filme me deu uma P#%@ vontade de fazer xixi. Pedi pra minha irmã me levar no banheiro e ela me mandou esperar até dar os comerciais. :(
(Nunca esqueço isso).

E sobre os amores platônicos... A única pessoa que eu amo de paixão é o Jô Soares (Vai, pode se matar de rir) rs.
Eu sou muito afim dele. :P
Fã mesmo.

hauhauhauhauhauahau

Juliana Dacoregio disse...

"Muito a fim" do Jô Soares? Vanessa, Vanessa... não é à toa que o nome do teu blog é Mulher é tudo Maluca!

Bem Resolvida disse...

Ah..aqui no Rio os cinemas bacanas de antigamente tbm viraram ingrejas, ou farmácias tão grandes que poderiam ser confundidas com super-mercado.
quando era adolescente era apaixonada pelo Christopher Lambert , que fazia o filme Highlander, e depois fiquei apaixonada pelo Antonio Bandera...mais tarde minha maior paixão: Angelina Jolie!!
Nunca gostei do Tom Cruisecredo, nem do Blargh Pitt, nem do Keanu Horriveis (apelidos carinhosos que sempre dei pra eles....rs).

É uma pena agora só terem cinemas em shoppings...acabou aquele glamour de outros tempos!!!

Bjs

♥тєcα♥ disse...

Ai Ju e quem não se apaixona pelo Keeanu, até hoje eu nos meus 21 anos suspiro quando vejo ele, meu marido quer me matar quando vê minha cara de boba, ai eu digo pra ele que eu li que keeanu é Gay ai meu marido aqueta,(como se isso mudasse alguma coisa pois acho que meu marido tem quase certeza que se o Keeanu não fosse gay viria me dar um beijo de cinema,me pedir em casamento e me chamar demeu amor,rs)homens,criam caso com tudo,rs!

Beijinhos Ju otima quarta par ti!

Umseteuns disse...

Meu primeiro filme no cinema foi "A Hora do Pesadelo" - acho que III ou IV... Aquele do Freddie Krueger.

Mas quem se importa?

Ler seus textos é bom demais!!!

Beijos!

Victinhu disse...

Vc é uma figura Jú. Sério mesmo. Quem olha pra sua foto não consegue imaginar o senso de humor que há por trás. Essa de vc ter ido com o rosto "retalhado" para o cinema foi a melhor.. Aliás, a pior. hehehehe Mas o mais engraçado é saber que suas amigas, tão crianças quanto vc na época, estavam mais preocupadas com a bunda do Bad Prit do que com o seu rosto.
Também já fui em cinema antigo assim e eu tinha a mesma idade do que vc. São ótimas lembranças, claro. Afinal de contas, se sentir um homenzinho por ir ao cinema sozinho não tem preço. Mas são apenas lembranças gostosas, pois não tem como comparar aquele cinema velho com um Cinemark da vida. =) Eu, como amante da tecnologia, sou fã de carteirinha dos cinemas modernos.

Um abraço.

Juliana Dacoregio disse...

@victinhu eu também adoooro Cinemark, Cinesystem, essas coisas gigantes e modernas. Aliás, faZ pouco tempo que fui num Cinemark pela primeira vez e fiquei toda deslubrada, bem colona!

@umseteuns Fredy Krueger foi um dos primeiros filmes que vi no vídeo cassete. Meu irmão comprou um vídeo e alugou Hora do Pesadelo e De Volta parA o Futuro.

@bem resolvida Tom Cruisecredo é ótimo!

Helder Herik disse...

Bem escrito.
leve e humorado.
muito bom mesmo.

abraço

depois venho com m ais tempo pq agora é corre corre