segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Não era bem assim...


Quando eu estava no jardim de infância olhava para as meninas do pré-escolar e achava-as muito altas. Queria estar logo no pré para estudar no segundo piso da casa onde funcionava a escolinha. Tenho bem clara em minha memória a imagem de uma menina grande,(era assim que eu a via), de mãos na cintura, parada na minha frente no parquinho, me dando ordens, como conviria a uma giganta do pré-escolar falando com uma pirralhinha do jardim I. O toque de midas, o que mais me encantava é que ela usava relógio! Ela parada na minha frente, com o pulso bem diante dos meus olhos e aquele reloginho mostrando o quanto ela era poderosa e eu, uma pequena formiga submissa. Meu deus, era minha inspiração! Era lá que eu queria chegar: estudar no segundo andar, mandar as meninas mais novas me servirem e usar relógio. Quando cheguei à pré-escola meu sonho não se realizou por completo, já que eu mudei para um colégio que tinha pré-escolar, ensino fundamental e médio, portanto eu estava a anos-luz de ser a mais velha do pedaço.

Quarta-série do primário, aquela idade em que os pensamentos e o corpo começam a dar os primeiros sinais de mudanças. Olhava para as garotas do segundo-grau (o atual Ensino Médio) e não via a hora de chegar a minha vez! Eu teria seios grandes, meus cabelos seriam jeitosos como os das modelos das revistas, poderia sair sozinha e ir aos “points” da moda. Sobretudo eu acreditava que ao chegar à tão sonhada adolescência eu não seria mais aquela menina acanhada, nem teria vergonha dos meninos. Imaginava-me poderosa com a chegada dos 15 anos. De repente eu estava lá: primeiro ano do segundo-grau. Unhas pintadas de vermelho, alguns sapatos de salto no armário, mas meu cabelo continuava incapaz de segurar uma tiara, de tão escorrido que era; só usava sutiãs de teimosa, pois não seria nem um pouco necessário, e os meninos... Ah, os meninos ainda eram seres que me deixavam muda de tanta timidez. Quanto às festas e baladas, elas só eram freqüentadas depois de muitas negociações com os pais – os carrascos de todo adolescente.

Então, nessa época, eu olhava as pessoas de 25 anos ou mais e acreditava que fossem todas muito adultas. Independentes, fortes, seguras de si. Ora, a Juliana adolescente via a Juliana de 28 anos como uma jovem senhora, com um emprego estável e bem remunerado, sem neuras, com todos os problemas de auto-estima resolvidos. A Juliana de 28 anos não choraria por qualquer coisinha, não cometeria gafes bobas, não seria mais tão carente e teria sempre o controle da situação. Os 28 anos chegaram. E posso dizer que em muitos momentos me sinto tão criança quanto aquela menina do Jardim I, que desejava ser grande e estudar no segundo piso da escola. Ainda sou a menina de 9 anos, meio desajeitada com o próprio corpo, às vezes adorando o que vê no espelho, às vezes, evitando lançar os olhos ao próprio reflexo. As lágrimas continuam rolando pelos motivos banais e jorrando pelos motivos genuínos.

Os 28 anos chegaram e eu vejo que não era como eu imaginava. Mas muitas perguntas que antes eu não saberia responder, hoje eu sei. Tantos sentimentos que eu não conseguia controlar, agora consigo. Idéias que nunca imaginei que teria, eu tive. E tomei iniciativas que fariam a Juliana de 15 anos ficar admirada. Muita burrada já fiz e consertei. Muito perdão já foi pedido e concedido. E ri muito, viajei, vi muito pôr-do-sol, ouvi e li palavras lindas, ganhei abraços inesquecíveis, comemorei grandes e pequenas vitórias, e ouvi elogios que a menina tímida dos cabelos escorridos nunca imaginou que receberia. Milhares de momentos, daqueles que nos dão certeza de que a vida vale a pena, eu vivi! Então, motivos não me faltam para me alegrar por ser quem eu sou. Porque minha vida não é como eu imaginava que seria. Ela é muuuito mais interessante!

20 comentários:

Beatriz Vieira disse...

Ontem ouvi uma expressão na aula, que é de Paulo Freire: devemos viver como seres inacabados.
Ou... Eu ainda estou aprendendo..

bjs
Bia

Moura disse...

Muito bem Juliana, uma bela introdução e uma excelente finalização, parabéns!
É verdade, muitas coisas pensamos, imaginamos e pretendemos, no entanto nem sempre as coisas acontecem como pensado ou planejado, muitas destas coisas mudam com o passar do tempo inclusive nossos planos e pensamentos sobre diversas coisas, e o bom de tudo isto é muitas vezes nos surpreendemos com o resultado, ou seja, as coisas ficam muito melhores do que imaginamos.
Parabéns! pelo blog.
Saúde e sucesso!
Bjoks,
Moura
http://meioambiente.blogomoura.com

Nick Nicks disse...

Nossa, Ju, é bem isso. E, olha, vou te contar uma coisa: aos 28 eu ainda achava que meus 40 seriam bem-resolvidos e financeiramente estáveis. Bah! A gente imagina demais, né? rsrsrsrsrs PS.: Adorei seu texto! O próximo que vier pra cima de mim com a expressão "loira burra" eu vou mandar pro seu blog! ;] Beijos!

Gui disse...

Que lindo Juuu!!!!
Amei!

O teu niver é hj? ou é quando? (bom, eu tenho que perguntar pq realmente não sei e não entro no orkut durante a semana ahhaahah)

Quando eu tinha uns 10 anos eu imaginava que quando tivesse uns 24/25 já esatria casada e com filhos (creeeeeedo) ainda bem que mudei bastante e ainda sou uma moleca aos quase 25..faço dia 20 quarta que vem \o/

beijo!!!!!!

Gui disse...

Droga..não sei se meu comentário foi....mas então..eu havia dito que amei o texto \o/
que achei lindo e que qdo eu tinha uns 12 eu achava que com 24/25 eu já estaria casada e com filhos..ainda bm que mudei bastante e hj ainda me sinto uma moleca aos qse 25 *_*
é hj o teu dia?? se for parabéns!!! se não for me avise quando é \o/
eu faço quarta da próxima semana (20/08)

;************ lindona.

Clara Gomes disse...

menina, engraçado como a gente passa pelas mesmas coisas, né? eu me lembro que com 13 anos minhas amigas menstruavam e eu não... Nossa, como eu sofria, me sentia humilhadíssima - que bobagem, né?
Beijo pra ti!

canseidexuxu disse...

Lindo texto! E muito real... Também me sinto exatamente assim!
A mulher de 28 de quanto tínhamos 15, era "completa", família, filhos, carreira... mas o mundo muda com a gente!

Beijos!

Lari Bernardi disse...

Nunca ficamos como nós imaginamos que ficaríamos... acho que isso deixa tudo mais interessante.

;*

LA_MALIGNA disse...

Bah, teu post combinou direitinho comigo hoje...

Ando de saco cheio da publicidade. Mas é um saco, pq eu não sei o que fazer, além disso. Não sei o que quero. Bah, to uma pilha. Quero fugir!

Victinhu disse...

Uau! A cada pedacinho da história eu recordava da minha infância. É muito engraçado como comigo foi a mesma coisa. E tenho certeza que com a maioria das pessoas é assim também. O engraçado, é que depois que cheguei aos meus vinte e poucos anos, quis voltar a ter 15, 16... Não me arrependo de nada e também já curti muito a vida, mas com certeza eu faria muitas coisas diferentes. Ai... Ai...

Muito bacana esse seu post.

Ricarda Caiafa disse...

oi ju!!! que lindo seu texto... acho que toda mulher pensa assim mesmo, igualzinho vc.... ah... eu tb imaginava que eu ia fazer e acontecer em tal e tal idade... hoje, me sinto feliz e diferente de tudo que eu imaginava, mas e isso aí....
te linkei para não perder contato. Beijos

Anônimo disse...

haahhaah
Lembro que era moleque, e via minha prima mais velha fazendo faculdade e pensava "nossa, quero ser grande logo para fazer faculdade tbm e ficar tão inteligente quanto ela..."
Deu no que deu...
Wallace
criticaconstrutiva.wordpress.com

Leandro disse...

Eu pensava do mesmo jeito que você quando estava no jardim I, mas ao invés de uma giganta mandona com mão na cintura e relógio no pulso, eram gigantes mais fortes que batiam em todos os pirralhos. Vida de menino era dura. E no segundo grau acontecia a mesma coisa comigo, fica tímido, acanhado e envergonhado diante de uma menina.
E depois que começei a me entender por gente, vi que a vida é muito melhor do que imaginava. Várias as coisas que achava que teria quando chegasse na idade que estou não chegaram, mas outras, talvez melhores, chegaram e são coisas que valorizo bastante.
A formiguinha do jardim I que aspirava ter um relógio, ser gigante para botar a mão na cintura, dar ordens e mandar no pedaço fazia aniversário no dia 11/08?
Beijo

Samira (Milora) disse...

Ju, belas palavras.

Eu sou muito nostálgica, e sempre questiono o meu presente.

Beijos.

Victinhu disse...

Lí no blog da Beatriz que foi seu aniversário ontem =)

Meus parabéns - atrasado - querida. Muita paz, saúde e sucesso pra vc.

Juliana Dacoregio disse...

Sim, sim... Para quem perguntou: 11 de agosto é o dia mais lindo do ano. Dia em que em 1980, lá pelas 17 horas, uma mulher chamada Marta, barriguda de nove meses, tomou um banho, fez cachos no cabelo, botou um vestido cor-de-rosa, e foi para a maternidade. Deu no que deu: essa autora, blogueira, metida, vaidosa, que agradece de coração cada comentário, cada parabéns e se alegra quando as pessoas se identificam com o que ela escreve!

Sabrina disse...

Também me sinto assim. Vezes muito forte, vezes um poço de sensibilidade... E sempre projetando minha felicidade de alguma coisa... Sempre.
Parabéns, felicidade, suce$$o!

♥тєcα♥ disse...

Rs, ai Ju me vi no seu post.

Isso é um sinal de que a gente nunca esta satisfeito com as coisas.Sabe hoje em dia eu daria tudo para ser criança de novo,fase danada de boa só!Rs!

Beijão Jú!

Juliana Dacoregio disse...

Teca, mas eu não queria voltar a ser criança, nem adolescente, não! Em todas essas fases eu vivi coisas boas, só quis dizer que não é sempre que as coisas se encaminha como a gente acha que vão se encaminhar.

Diego Firmino disse...

Mas vou te dizer uma coisa é aquela antiga projeção que a gente tem, sempre querendo ser algo que não podemos ser no momento e quando alcançamos isso, descobrimos que:

1. Não era tão bom assim (as vezes)
2. Era muitooooo, infinitamente, power, mega divertido, ser o que se era. (Não que o novo não o seja, aliás, tenho cá minhas dúvidas, já que hoje em dia creio que iria preferir estar no pré, com alguém limpando as minhas fraldas e me dando de comer...do que agora. Contas, muitas contas, odeio todas elas...)

3. No fim das contas o ideal é aproveitar todas as fases, antes que virem fezes..entendeu o trocadalho do carilho bacana????

Mas enfim, ter seus vinte e poucos anos passando por todas as fossas, fases, céus e infernos só nos faz mais fortes, assm como quando tivermos 40 seremos ainda melhores.

Abraço

Diego