quinta-feira, 10 de abril de 2008

Meu pai


Não é dia dos pais, nem aniversário do meu pai. Mas como tive que escrever um texto homenageando uma pessoa importante, aí está:



Pai, seria lugar-comum dizer que te amo porque me deste a vida e me ensinaste a ser o que sou hoje. Não, não me ensinaste a ser o que sou hoje porque ainda estou longe de ser o ser humano lutador, honesto e incansável que tu és. Poucos ensinamentos me passaste com palavras, mas não é preciso falar de honestidade, amor pelos seus, generosidade sem medidas e retidão se és alguém que vive esses princípios, sem ao menos cogitar que poderia ser possível viver de outra forma.

Querido pai, ao longo desses 27 anos que convivo com você minha admiração pela pessoa que és só cresceu. Dizem que somos parecidos em aparência e personalidade, e me orgulho disso. Mas me orgulharei ainda mais se eu conseguir seguir o seu exemplo de dedicação e persistência e sua capacidade de tomar decisões acertadas. Almejo ter suas virtudes, meu pai, e se um dia as pessoas de meu convívio dedicarem a mim metade dos elogios que já ouvi você receber das pessoas com quem você trabalha eu serei uma pessoa muito realizada.

Meu pai, além de admirá-lo hoje pelo homem competente, ligado à família, responsável e de coração puro que sempre fostes, admiro-o também porque enquanto cresciam os filhos, aumentavam as reformas da casa e cresciam seus novos cabelos brancos, aumentavam também sua capacidade de se adaptar às novas situações e sua paciência - principalmente aquela necessária para lidar com uma filha adolescente, rebelde e complexa por demais dentro de sua casa. Me vi crescer e vi crescer também a sua capacidade de ser doce, de me acolher em qualquer situação, de me dar a mão e me apoiar sempre em minha busca de espaço na vida.

Vi seus sorrisos se multiplicarem, ao mesmo tempo em que passei a entender seu silêncio em tantos momentos. Silêncio de quem tem inúmeras responsabilidades, silêncio de quem se preocupa incessantemente com o futuro da família, silêncio de quem trabalha arduamente.
Vi você me telefonar, emocionado, para pedir-me perdão após uma briga. Coisa que só os muito fortes são capazes de fazer!

Fortes, também, são aqueles que sabem guiar, sem obrigar; pedir, sem exigir. E você nunca impôs suas opiniões a mim ou a meus irmãos. Pelo contrário, nos deixou caminhar no nosso ritmo, para que déssemos nossos passos no devido tempo, um após o outro, e ficou ali apenas orientando, aconselhando, aguardando que seus conselhos e exemplos dessem frutos.

É por isso, querido pai, que hoje quando penso na pessoa que mais admiro sua imagem é a primeira e a mais forte que vem à minha mente.

Richard Bach, em seu livro Longe é Um Lugar que Não Existe, diz que pais e filhos não são somente pais e filhos. São companheiros na jornada da vida. É por isso que hoje sei o privilégio que é ser filha e companheira na maravilhosa viagem da vida, deste homem, a quem muitos chamam de Libio, mas que eu tenho a honra de chamar de PAI!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Homens Idiotas: Tolerância Zero




A maioria das pessoas é muito solitária e tem necessidade de se comunicar e interagir. Mas forçar a barra e tentar criar uma intimidade que ainda não existe, nem teve tempo para surgir é errar na dose e correr o risco de ficar mais solitário ainda.
Claro que sempre é possível descobrir um grande amigo no novo colega de trabalho, academia ou estudos. Afinal, são em ambientes assim que amizades sólidas e duradouras se formam. Apesar de eu suspeitar que o comediante Jerry Seinfeld, aquele que faturou milhões com o seriado que leva seu nome e mais recentemente com o filme Bee Movie, tem uma boa dose de razão quando afirma que por volta dos 30 anos é raro fazer grandes amigos. No máximo, criam-se situações de coleguismo e camaradagem, mas nada comparado à facilidade com que fazíamos amizade na infância, na adolescência ou na época áurea dos 20 e poucos anos. Não sei se é o fato de eu já ter 20 e muitos anos ou se é uma “síndrome de Danuza Leão”, mas não tenho mais paciência para fazer amizades, trocar telefones e ficar conversando com semi-desconhecidos em busca de afinidades.
Mas algumas pessoas não são assim. E forçam a barra. Já é patético se o interesse for apenas amizade. Mas até é passável. Há épocas em que nos sentimos tão sós que encaramos, mesmo penosamente, a tarefa de criar vínculos, mostrar quem somos e tentar agradar. Mas quando quem força a barra para tentar agradar e faz elogios sem ao menos ter subsídios para isso é um homem do tipo “galanteador barato”, aí é muito chato. Numa balada, numa festa, num ambiente de descontração ainda vai, mas ficar lançando piadinhas e galanteios para uma mulher no ambiente profissional ou acadêmico é o supra-sumo do patético. Piora 500% se o pateta em questão for casado! Mal sabe o nome de uma mulher e já tenta se fazer de amiguinho, de interessado no intelecto da pobre-coitada, que se tiver um pingo de bom senso e auto-estima vai logo perceber o que antes não havia notado: a inscrição “BABACA” na testa do cara.
Particularmente, acho muito feio ver um homem casado ou comprometido brincar de dom juan com qualquer incauta que apareça pela frente. Não importa se ele flerte com a intenção de abater a presa ou de só brincar: é falta de respeito com a própria mulher, com as mulheres em geral e consigo mesmo. Pois acredito que quem desrespeita alguém com quem convive e que diz amar desrespeita a si mesmo. Mas há mulheres que se encantam com qualquer, “percebi pelo seu olhar que você é uma pessoa muito interessante” e, por causa dessas – que são capazes até de se apaixonar por causa de um elogio sem fundamento algum – é que eles continuam brincando de galos por aí.
Cansativo ao extremo. Já é preciso ter paciência com muitas coisas nessa vida. Ter que gastá-la com galanteadores baratos não deveria estar na lista de mulher alguma!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Armadura


Maquio-me e remaquio-me para me proteger.

Preciso dessas máscaras, porque não posso me dar ao luxo de mostrar minha face nua a qualquer um. Não quero me dar a esse luxo. Preciso desses óculos gigantes, para esconder meu olhar, que grita meus sentimentos por aí sem me pedir permissão.

Minha maior intimidade são as sensações que meu rosto insiste em demonstrar...Uma cara entediada quando todos estão atentos;o olhar de desprezo para aquele que levanta a mão na sala de aula para fazer perguntas;a testa franzida, de medo, de preocupação;o brilho infantil nos olhos que salta diante de qualquer alegria tola; uma memória da noite de amor que desperta sorrisos no canto dos lábios...expressões que não devem andar soltas por aí, ao alcance do mundo.

Meu rosto é meu quarto. Meu rosto é meu mundo. Por isso continuarei não saindo de casa de cara lavada.