
Não é dia dos pais, nem aniversário do meu pai. Mas como tive que escrever um texto homenageando uma pessoa importante, aí está:
Pai, seria lugar-comum dizer que te amo porque me deste a vida e me ensinaste a ser o que sou hoje. Não, não me ensinaste a ser o que sou hoje porque ainda estou longe de ser o ser humano lutador, honesto e incansável que tu és. Poucos ensinamentos me passaste com palavras, mas não é preciso falar de honestidade, amor pelos seus, generosidade sem medidas e retidão se és alguém que vive esses princípios, sem ao menos cogitar que poderia ser possível viver de outra forma.
Querido pai, ao longo desses 27 anos que convivo com você minha admiração pela pessoa que és só cresceu. Dizem que somos parecidos em aparência e personalidade, e me orgulho disso. Mas me orgulharei ainda mais se eu conseguir seguir o seu exemplo de dedicação e persistência e sua capacidade de tomar decisões acertadas. Almejo ter suas virtudes, meu pai, e se um dia as pessoas de meu convívio dedicarem a mim metade dos elogios que já ouvi você receber das pessoas com quem você trabalha eu serei uma pessoa muito realizada.
Meu pai, além de admirá-lo hoje pelo homem competente, ligado à família, responsável e de coração puro que sempre fostes, admiro-o também porque enquanto cresciam os filhos, aumentavam as reformas da casa e cresciam seus novos cabelos brancos, aumentavam também sua capacidade de se adaptar às novas situações e sua paciência - principalmente aquela necessária para lidar com uma filha adolescente, rebelde e complexa por demais dentro de sua casa. Me vi crescer e vi crescer também a sua capacidade de ser doce, de me acolher em qualquer situação, de me dar a mão e me apoiar sempre em minha busca de espaço na vida.
Vi seus sorrisos se multiplicarem, ao mesmo tempo em que passei a entender seu silêncio em tantos momentos. Silêncio de quem tem inúmeras responsabilidades, silêncio de quem se preocupa incessantemente com o futuro da família, silêncio de quem trabalha arduamente.
Vi você me telefonar, emocionado, para pedir-me perdão após uma briga. Coisa que só os muito fortes são capazes de fazer!
Fortes, também, são aqueles que sabem guiar, sem obrigar; pedir, sem exigir. E você nunca impôs suas opiniões a mim ou a meus irmãos. Pelo contrário, nos deixou caminhar no nosso ritmo, para que déssemos nossos passos no devido tempo, um após o outro, e ficou ali apenas orientando, aconselhando, aguardando que seus conselhos e exemplos dessem frutos.
É por isso, querido pai, que hoje quando penso na pessoa que mais admiro sua imagem é a primeira e a mais forte que vem à minha mente.
Richard Bach, em seu livro Longe é Um Lugar que Não Existe, diz que pais e filhos não são somente pais e filhos. São companheiros na jornada da vida. É por isso que hoje sei o privilégio que é ser filha e companheira na maravilhosa viagem da vida, deste homem, a quem muitos chamam de Libio, mas que eu tenho a honra de chamar de PAI!





