Alguns filmes são feitos com a intenção de serem obras de arte ou produções memoráveis. Quando o resultado é positivo, tudo perfeito. Saímos do cinema satisfeitos com a experiência. Outros filmes servem para não serem levados a sério. São idealizados e filmados com a única pretensão de ser um entretenimento banal.
O problema é quando percebemos que o filme a que estamos assistindo tinha sérias intenções de ser um grande filme, mas não foi. Sean Penn filmou a saga de Christopher McCandles, um jovem que, após terminar a faculdade, se manda pelo mundo sem avisar ninguém e vai parar no Alaska, onde morre de inanição, por pura estupidez e imaturidade. A história - baseada em fatos reais - é basicamente essa e a tentativa de fazer dela uma saga poética não foi bem sucedida.
Christopher McCandles, interpretado por Emile Hirsch, larga o conforto da casa dos pais em busca de autoconhecimento e comunhão com a natureza. Até aí a motivação dele é louvável, mas o discurso de burguês que acha bonito ser anti-capitalista é intragável. O jovem de 23 anos rejeita o carro novo com que seu pai quer presenteá-lo, doa para caridade o dinheiro de sua poupança (24 mil dólares) e logo no início de sua aventura queima seus últimos trocados, numa atitude, no mínimo, egoísta. (Já que ele não queria o dinheiro poderia ter doado-o também para alguém que quisesse e precis
asse.)
Um jovem reclamando que seu pai só pensa em bens materiais e ainda recitando o mantra "Você só pensa em coisas! Tudo se resume a coisas, coisas, coisas. Eu não preciso de coisas."? Isso seria idealista e revolucionário se Christopher tivesse vivido na década de 60 (ou antes), mas um cara que faz isso em pleno final do século XX é apenas um imaturo que comprou a idéia de rebeldia contra a sociedade e a leva às últimas conseqüências, fazendo sofrer àqueles que o amam e sentirão sua falta.
Eu me identificaria com a rebeldia de Christopher se eu tivesse ainda uns 12 anos de idade. Ele é infantil, cita meia dúzia de autores e se acha muito culto por conta disso. Os motivos de sua mágoa contra os pais são ridículos. Ele tinha uma família normal, com alguns descompassos, alguns desentendimentos mais violentos, mas nada incomum, nada que justificasse ele sumir sem mandar notícias, deixando seus pais desesperados. O filme quer nos fazer crer que os motivos do rapaz são legítimos e que os pais dele mereciam aquele sofrimento para se tornarem melhores. Eu só consegui sentir pena dos pais dele e pensar, “custava mandar um telegrama de vez em quando?”
A idéia de Christopher é interessante. Sair pelo mundo pedindo carona, desfrutando das coisas naturais, tomando banho de rio, dormindo à luz do luar, conhecendo gente diferente daquelas do seu convívio social. Acredito, sim, que isso possa levar a um maior auto conhecimento. Jack Kerouac e sua obra baseada em suas andanças de andarilho e caroneiro estão aí para provar. Mas o que o Christopher McCandles fez foi quase um suicídio: viajou sozinho para uma terra inóspita, como o Alaska, sem nenhuma forma de comunicação com a civilização e sem provisões suficientes. Lá o jovem acaba por cometer erros primários, como comer plantas venenosas e matar um
alce inteiro sem preparar alguma parte para o consumo imediato, deixando que as moscas e larvas tomassem conta da caça. Mas o que poderia se esperar de um cara que bota fogo em dinheiro? Não, eu não consigo ver nada de idealista numa pessoa que deixa sua família sem notícias por mais de um ano e se leva tão a sério que é capaz de dar lições de moral a um homem idoso que ele encontra em suas andanças por aí.
Mas, dos males, o pior: a atuação de Emile Hirsch é... estranha. A primeira cena dele com falas já me deixou incomodada. Canastrão foi a primeira palavra que me veio à mente. Não sei explicar porque não gostei da atuação dele. Porém a maioria das críticas que li – elogiando o ator – também não explicava o porquê de terem gostado de sua interpretação. Espero que aqueles que gostaram não justifiquem isso somente pelo fato de Hirsch ter emagrecido 20 quilos para filmar o desfecho da história! Emagrecer horrores não prova que o cara é um bom ator. Prova apenas que ele tomou as “bagas” certas!
O problema é quando percebemos que o filme a que estamos assistindo tinha sérias intenções de ser um grande filme, mas não foi. Sean Penn filmou a saga de Christopher McCandles, um jovem que, após terminar a faculdade, se manda pelo mundo sem avisar ninguém e vai parar no Alaska, onde morre de inanição, por pura estupidez e imaturidade. A história - baseada em fatos reais - é basicamente essa e a tentativa de fazer dela uma saga poética não foi bem sucedida.
Christopher McCandles, interpretado por Emile Hirsch, larga o conforto da casa dos pais em busca de autoconhecimento e comunhão com a natureza. Até aí a motivação dele é louvável, mas o discurso de burguês que acha bonito ser anti-capitalista é intragável. O jovem de 23 anos rejeita o carro novo com que seu pai quer presenteá-lo, doa para caridade o dinheiro de sua poupança (24 mil dólares) e logo no início de sua aventura queima seus últimos trocados, numa atitude, no mínimo, egoísta. (Já que ele não queria o dinheiro poderia ter doado-o também para alguém que quisesse e precis
asse.)Um jovem reclamando que seu pai só pensa em bens materiais e ainda recitando o mantra "Você só pensa em coisas! Tudo se resume a coisas, coisas, coisas. Eu não preciso de coisas."? Isso seria idealista e revolucionário se Christopher tivesse vivido na década de 60 (ou antes), mas um cara que faz isso em pleno final do século XX é apenas um imaturo que comprou a idéia de rebeldia contra a sociedade e a leva às últimas conseqüências, fazendo sofrer àqueles que o amam e sentirão sua falta.
Eu me identificaria com a rebeldia de Christopher se eu tivesse ainda uns 12 anos de idade. Ele é infantil, cita meia dúzia de autores e se acha muito culto por conta disso. Os motivos de sua mágoa contra os pais são ridículos. Ele tinha uma família normal, com alguns descompassos, alguns desentendimentos mais violentos, mas nada incomum, nada que justificasse ele sumir sem mandar notícias, deixando seus pais desesperados. O filme quer nos fazer crer que os motivos do rapaz são legítimos e que os pais dele mereciam aquele sofrimento para se tornarem melhores. Eu só consegui sentir pena dos pais dele e pensar, “custava mandar um telegrama de vez em quando?”
A idéia de Christopher é interessante. Sair pelo mundo pedindo carona, desfrutando das coisas naturais, tomando banho de rio, dormindo à luz do luar, conhecendo gente diferente daquelas do seu convívio social. Acredito, sim, que isso possa levar a um maior auto conhecimento. Jack Kerouac e sua obra baseada em suas andanças de andarilho e caroneiro estão aí para provar. Mas o que o Christopher McCandles fez foi quase um suicídio: viajou sozinho para uma terra inóspita, como o Alaska, sem nenhuma forma de comunicação com a civilização e sem provisões suficientes. Lá o jovem acaba por cometer erros primários, como comer plantas venenosas e matar um
alce inteiro sem preparar alguma parte para o consumo imediato, deixando que as moscas e larvas tomassem conta da caça. Mas o que poderia se esperar de um cara que bota fogo em dinheiro? Não, eu não consigo ver nada de idealista numa pessoa que deixa sua família sem notícias por mais de um ano e se leva tão a sério que é capaz de dar lições de moral a um homem idoso que ele encontra em suas andanças por aí.Mas, dos males, o pior: a atuação de Emile Hirsch é... estranha. A primeira cena dele com falas já me deixou incomodada. Canastrão foi a primeira palavra que me veio à mente. Não sei explicar porque não gostei da atuação dele. Porém a maioria das críticas que li – elogiando o ator – também não explicava o porquê de terem gostado de sua interpretação. Espero que aqueles que gostaram não justifiquem isso somente pelo fato de Hirsch ter emagrecido 20 quilos para filmar o desfecho da história! Emagrecer horrores não prova que o cara é um bom ator. Prova apenas que ele tomou as “bagas” certas!
Em compensação, (mas não compensando tanto assim) o filme tem lindas locações.
Obs.: Antes que você diga, ah mas esse filme está concorrendo a dois Oscars, eu informo:
ele está concorrendo ao Oscar de melhor ator coadjuvante, para o ator Hal Holbrook (que está mesmo ótimo) e Oscar de melhor edição. E quem já esteve numa ilha de edição sabe que editar é difícil mesmo, então qualquer filme que não pareça os trabalhos de TV que a gente fazia lá na Unisul já merece o Oscar de melhor edição. A trilha sonora é de Eddie Veder, vocalista do Pearl Jam.


























