quinta-feira, 31 de julho de 2008

Na Natureza Selvagem - Uma bobagem


Alguns filmes são feitos com a intenção de serem obras de arte ou produções memoráveis. Quando o resultado é positivo, tudo perfeito. Saímos do cinema satisfeitos com a experiência. Outros filmes servem para não serem levados a sério. São idealizados e filmados com a única pretensão de ser um entretenimento banal.
O problema é quando percebemos que o filme a que estamos assistindo tinha sérias intenções de ser um grande filme, mas não foi. Sean Penn filmou a saga de Christopher McCandles, um jovem que, após terminar a faculdade, se manda pelo mundo sem avisar ninguém e vai parar no Alaska, onde morre de inanição, por pura estupidez e imaturidade. A história - baseada em fatos reais - é basicamente essa e a tentativa de fazer dela uma saga poética não foi bem sucedida.
Christopher McCandles, interpretado por Emile Hirsch, larga o conforto da casa dos pais em busca de autoconhecimento e comunhão com a natureza. Até aí a motivação dele é louvável, mas o discurso de burguês que acha bonito ser anti-capitalista é intragável. O jovem de 23 anos rejeita o carro novo com que seu pai quer presenteá-lo, doa para caridade o dinheiro de sua poupança (24 mil dólares) e logo no início de sua aventura queima seus últimos trocados, numa atitude, no mínimo, egoísta. (Já que ele não queria o dinheiro poderia ter doado-o também para alguém que quisesse e precisasse.)
Um jovem reclamando que seu pai só pensa em bens materiais e ainda recitando o mantra "Você só pensa em coisas! Tudo se resume a coisas, coisas, coisas. Eu não preciso de coisas."? Isso seria idealista e revolucionário se Christopher tivesse vivido na década de 60 (ou antes), mas um cara que faz isso em pleno final do século XX é apenas um imaturo que comprou a idéia de rebeldia contra a sociedade e a leva às últimas conseqüências, fazendo sofrer àqueles que o amam e sentirão sua falta.
Eu me identificaria com a rebeldia de Christopher se eu tivesse ainda uns 12 anos de idade. Ele é infantil, cita meia dúzia de autores e se acha muito culto por conta disso. Os motivos de sua mágoa contra os pais são ridículos. Ele tinha uma família normal, com alguns descompassos, alguns desentendimentos mais violentos, mas nada incomum, nada que justificasse ele sumir sem mandar notícias, deixando seus pais desesperados. O filme quer nos fazer crer que os motivos do rapaz são legítimos e que os pais dele mereciam aquele sofrimento para se tornarem melhores. Eu só consegui sentir pena dos pais dele e pensar, “custava mandar um telegrama de vez em quando?”
A idéia de Christopher é interessante. Sair pelo mundo pedindo carona, desfrutando das coisas naturais, tomando banho de rio, dormindo à luz do luar, conhecendo gente diferente daquelas do seu convívio social. Acredito, sim, que isso possa levar a um maior auto conhecimento. Jack Kerouac e sua obra baseada em suas andanças de andarilho e caroneiro estão aí para provar. Mas o que o Christopher McCandles fez foi quase um suicídio: viajou sozinho para uma terra inóspita, como o Alaska, sem nenhuma forma de comunicação com a civilização e sem provisões suficientes. Lá o jovem acaba por cometer erros primários, como comer plantas venenosas e matar um alce inteiro sem preparar alguma parte para o consumo imediato, deixando que as moscas e larvas tomassem conta da caça. Mas o que poderia se esperar de um cara que bota fogo em dinheiro? Não, eu não consigo ver nada de idealista numa pessoa que deixa sua família sem notícias por mais de um ano e se leva tão a sério que é capaz de dar lições de moral a um homem idoso que ele encontra em suas andanças por aí.
Mas, dos males, o pior: a atuação de Emile Hirsch é... estranha. A primeira cena dele com falas já me deixou incomodada. Canastrão foi a primeira palavra que me veio à mente. Não sei explicar porque não gostei da atuação dele. Porém a maioria das críticas que li – elogiando o ator – também não explicava o porquê de terem gostado de sua interpretação. Espero que aqueles que gostaram não justifiquem isso somente pelo fato de Hirsch ter emagrecido 20 quilos para filmar o desfecho da história! Emagrecer horrores não prova que o cara é um bom ator. Prova apenas que ele tomou as “bagas” certas!

Em compensação, (mas não compensando tanto assim) o filme tem lindas locações.


Obs.: Antes que você diga, ah mas esse filme está concorrendo a dois Oscars, eu informo:
ele está concorrendo ao Oscar de melhor ator coadjuvante, para o ator Hal Holbrook (que está mesmo ótimo) e Oscar de melhor edição. E quem já esteve numa ilha de edição sabe que editar é difícil mesmo, então qualquer filme que não pareça os trabalhos de TV que a gente fazia lá na Unisul já merece o Oscar de melhor edição. A trilha sonora é de Eddie Veder, vocalista do Pearl Jam.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Diálogos do Cinema

O L.S. Alves, do Máquina de Letras propôs um *meme sobre cinema.
Ele pediu que os participantes postassem uma frase ou diálogo de um filme, citando os personagens envolvidos na cena e o nome do filme, é claro.
Eu escolhi três frases que para mim são memoráveis.
A primeira vai em português mesmo porque eu assisti esse filme mais vezes dublado do que legendado.

De Volta para o Futuro I
Dr. Brown: Cortaram a cabeça do seu irmão.
(Quando Marty McFly mostra a foto dele com seus dois irmãos ao Dr. Brown. A cabeça do irmão mais velho de Marty está sumindo da foto porque... ai você não vai querer que eu explique isso, né? Nem o Dr. Brown consegue explicar direito.)

O Poderoso Chefão

O "Seu" Bonasera vai pedir um favorzinho pro Don Vito Corleone. Favorzinho básico, tipo, "dá uma aleijadinha nos caras que molestaram minha filha?" Mas Don Vito é um italianão que valoriza as coisas importantes da vida, como um café entre compadres, né, então ele me sai com essa:

I can't remember the last time you invited me to your house for a cup of coffee, even though my wife is Godmother to your only child. But, now you come to me and you say "Don Corleone, give me justice." But you don't ask with respect. You don't offer friendship. You don't even think to call me Godfather. Instead, you come into my home on the day my daughter's to be married and you ask me to do murder for money.

Tecla sap: Eu não lembro a última vez que você tenha me convidado para tomar um café em sua casa, e nem mesmo convidou minha esposa para ser madrinha de sua filha. Mas agora você vem até mim e diz "Don Corleone, eu quero justiça". Mas você não pede com respeito. Você não oferece amizade. Você nem mesmo pensa em me chamar de Padrinho. Ao invés disso, você entra na minha casa, no dia do casamento de minha filha e me pede pra matar por dinheiro.

Bom, o resultado da chantagenzinha emocional de um Poderoso Chefão está aí embaixo:


O próximo dispensa que eu cite o nome do filme.

My name is Forrest Gump. People call me Forrest Gump.

Simples assim!


Passo a bola para:


*meme: termo criado pelo cientista Richard Dawkins, meme é uma idéia, costume ou ação que se propaga entre as pessoas. Tá ligado os genes? Eles passam de pai para filho. Os memes passam de todo mundo para todo mundo. Mais precisamente no caso dos blogs, de acordo com Alexandre Fugita, do TechBits "meme significa criar um post com uma idéia e fazer com que outras pessoas escrevam sobre esse mesmo assunto dando seu ponto de vista".

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Saudosismo Cinematográfico e Paixões Adolescentes




Os cinemas que eu freqüentava em minha infância e pré-adolescência eram dois: Cine Center e Cine Ópera. O Cine Center era no único shopping que havia na cidade e era um cinema bem pequeno. Foi lá que assisti a um filme sozinha pela primeira vez. Era a Bela e a Fera. Meu irmão mais velho me levou e depois foi me buscar. Não sei por que ele teve essa idéia. Não fui eu que pedi. Ele falou, “July, está passando A Bela e a Fera. É bem legal. Quer ver? Eu deixo você no cinema e depois volto pra te buscar.” Acho que ele quis estimular minha independência. Aliás, eu nem era muito criança. Acabo de conferir o ano de lançamento do filme, foi 1991, portanto eu tinha 11 aninhos. Claro, que eu a-d-o-r-e-i ir sozinha, me senti super adulta. Mas como já era um tanto paranóicazinha fiquei olhando para trás o tempo todo com medo de que alguém tentasse me degolar. (Tipo, o cara teria que ser muito, mas muito psicopata mesmo, pra ir numa sessão vespertina de A Bela e a Fera, com o intuito de degolar uma menina de 11 anos... Mas, vai dizer isso pra mente morbidamente fértil de uma garotinha!)

Além dessa experiência de grande valor para a formação do meu caráter, freqüentei muitas outras vezes o Cine Center e mais ainda o Cine Ópera. Este último era uma sala enorme, com um cheiro de carpete/mofo/cadeiras de couro. Há gente que gosta do cheiro de gasolina, então não estranhe o fato de eu gostar do cheiro de uma sala de cinema antiga e mofada. Lá tive noites de domingo memoráveis! Foi onde assisti a Lendas da Paixão, filme que estava dando o que falar entre as meninas do Colégio Madre Teresa Michel, por um único e simples fato: a bunda do Brad Pitt aparecia em uma cena! Fui assistir lógico, mas na ida eu e minhas amigas resolvemos cortar caminho pela Pracinha do Congresso. Uma delas viu um "cara mal encarado" e gritou! Nós corremos, disparadas pela praça. Bem, parafraseando Drummond, tinha uma árvore no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma árvore! E no meio do caminho da árvore tinha a minha cara em alta velocidade. Fiquei com o rosto todo arranhado, e por sorte não levei uma galhada no olho. Ficou feio mesmo e todo mundo perguntou se eu não queria embora. (Mentira, ninguém perguntou nada, minhas amigas estavam nem aí pra minha cara de boxeadora pós-nocaute. Estavam era rindo muito, isso sim.) Bom, mas mesmo que me sugerissem ir pra casa, você acha que com 14 anos de idade eu iria perder a chance de ver o derriére do Brad Pitt? Imagina! Meu rosto retalhado poderia esperar.


Foi também naquele cinema que me apaixonei por Keanu Reeves (e é nesse momento que meu namorado está praguejando e maldizendo o minuto em que começou a ler este post). Sim, Keanu Reeves foi minha primeira paixão. Fui pra casa suspirando após assistir Velocidade Máxima. Você sabe o que é uma adolescente com uma paixão platônica? Olha, quando a gente tem 12, 13 ou 14 anos de idade as paixões por artistas são ridículas! Porque a gente fica mesmo imaginando situações, achando que é possível encontrar o cara em uma viagem à Disney, por exemplo, e ele se apaixonar pela gente. Aí você se imagina indo comer um hambúrguer com ele, ele mexendo no seu cabelo e dizendo o quanto você é linda, vocês dois indo para a mansão dele, você acordando de manhã e ele trazendo o café na cama... A polícia chegando e prendendo-o por pedofilia... Não, isso você não imagina, claro, mas nessa história mirabolante seria o único desfecho que faria sentido. Mas, sério, uma pré-adolescente apaixonada por um astro qualquer é uma lunática! Pode ter certeza que ela tem esses tipos de delírios e acredita que são perfeitamente possíveis. Hoje em dia, não. Você, no máximo, imagina que se, por acaso, vir o Brad Pitt no aeroporto você vai correr em direção a ele, se ajoelhar, gritar, talvez tirar a roupa e implorar para que ele a possua, mas você sabe que na melhor das hipóteses vai ganhar um pedaço de papel com o nome dele escrito!

Mas saindo das platonices adolescentes e voltando ao amor eterno pelo cinema, eu me sentia em casa no Cine Ópera. Hoje lá não há mais uma telona, apesar de ainda acontecerem grandes interpretações e recordes de bilheteria: noite do descarrego, reunião dos empresários, os 318, fogueira santa e outras superproduções. Agora minha cidade tem outros cinemas, nos dois shoppings que hoje existem lá. Mas o cinema de outrora, naquela sala que mais parecia um auditório faz parte do meu passado. Hoje vou ao cinema e não sinto mais o cheiro de carpete e das poltronas de couro. Há apenas aquele cheiro de limpeza, de lugar bem desinfetado. É por isso que sexta-feira passada ao ir ao cinema do Centro Integrado de Cultura, aqui em Florianópolis, me bateu um saudosimo, uma sensação de “volta às origens”. Era uma sala pequena como a do Cine Center e em estilo meio décadence avec élégance como o Cine Ópera. As poltronas forradas com tecidos vermelhos e o carpete bege, onde quase dava de ver os ácaros pulando e festejando. Aquele cheirinho de mofo que só os cinemas antigos tinham. Aaahhh... respirei fundo e me senti em casa!

Estava tudo muito bem, tudo muito cult, tudo muito nostálgico, até que começa o filme. Na Natureza Selvagem, com direção de Sean Penn. Esse é assunto para um próximo post. Só vou dizer que em 10 minutos de filme eu já queria estar no ultra-super-hiper tecnológico e capitalista Cinemark vendo qualquer pancadaria movie`s e me entupindo de pipoca e Coca-cola...

sábado, 26 de julho de 2008

Ajude-me a consertar meus cabelos loiros


Algum grande sábio já disse: "Não navegue bêbado pela internet. Principalmente se você tiver blog, fotolog e for membro de diversas redes sociais." Ninguém disse isso? Bom, não sou uma grande sábia, mas eu digo então.

Pois bem, estava eu muito distraída, vestindo meu pijama de oncinhas e navegando no Te dou um dado? quando minha mamãe fotografa-me inesperadamente e acaba registrando o momento. Beleza.

Uns dias depois, navegando após umas taças de vinho, muito feliz e contente, resolvi postar a tal fotinho em meu fotolog. Gosto muito do Te dou um dado? e, como naquele momento tudo parecia lindo, as pessoas pareciam amáveis e o mundo já não era um lugar hostil, tive a brilhante idéia de mandar um e-mail avisando-os que havia feito uma pequena homenagem ao site deles em meu fotolog. Ah! Mas idéia de jirico pouca é bobagem! Juntamente com o aviso sobre o fotolog, achei por bem me inscrever na promoção deles para ganhar uma transformação do cabeleireiro Marco Antônio de Biaggi, aquele especialista em blondies! Vejam só quanta espirituosidade: meu argumento foi que precisava arrumar o tom de loiro do meu cabelo que mais estava parecendo um "louro-empregadinha". (Quem pinta os cabelos de loiro sabe que vez ou outra os fios acabam atingindo um tom amarelado de dar medo.)

Mas nem me preocupei muito com a minha "inscrição no concurso". As participantes tinham mandando fotos muito toscas, com caras de bebaças ou fazendo caretas horríveis. Então, achei que eles fossem desconsiderar minha mensagem e pensar "ah, mas essa menina é bonitinha e ajeitadinha, não precisa de uma transformação!". Além do mais, eu já tinha mandado e-mails com sugestões de pautas para o TDUD (é, eu sou uma garota muito interativa) e eles não tinham respondido, nem utilizado minhas sugestões.

A vida seguiu seu curso normal, algumas semanas se passaram, até que recebo a newsletter do site e tcharaaam!!! Estou pagando mico em "rede nacional" e correndo o risco de ganhar um dia de Cinderela no De Biaggi!

Então, agora peço a SUA AJUDA, caro internauta! Vá até a comunidade do TDUD e vote nesta blogueira que vos fala para que ela seja a vencedora de tão acirrada disputa.

Claro que já tem um pessoal me zoando, dizendo que:
a) Pareço a Siri do BBB;
b) Preciso de uma repaginada também no guarda-roupa.
E todos concordando que meu tom de loiro está merecendo um retoque!

Mas, sei que vocês, amados, queridos e fofuxos leitores, acessarão a comunidade apenas para votar em mim e fazer com que eu chegue ao salão de beleza das estrelas, e não para me zoar com comentários maldosos e infundados.

E fica a dica, se beber, peça para alguém monitorar sua navegação pela web ou submeta suas brilhantes idéias sobres "coisas para se fazer on-line" a algum censor; ou tenha seus erros tinturísticos expostos a execração pública.

Mas é claro que se eu ganhar um antes/depois vai valer a pena a pagação de King Kong, então VOTE EM MIM e faça uma loira mais feliz!


Obs.: Pensei em nomear este post como "Ajude-me a ganhar uma pintada do De Biaggi", mas como me resta algum bom senso, não tive coragem de cometer a piada infame.
Leia também: Momento Rugol

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O panteão dos vilões inesquecíveis ganhou mais um membro

Dizem que um bom ator é aquele que consegue desaparecer dentro de seu personagem. Em Batman - O Cavaleiro das Trevas você só lembra que o Coringa é Heath Ledger porque ele morreu há pouco tempo, no auge da juventude e em circunstâncias trágicas e duvidosas. Não fosse por isso, você seria capaz de não enxergar ator algum debaixo daquela maquiagem. Aquele é o Coringa, o vilão, o inimigo do Batman e ponto final.

Não nego que eu tenha ido ao cinema pronta para prestar atenção nele. Quando o Coringa aparecia em cena, eu me esforçava para fazer uma leitura dinâmica das legendas para logo poder observar as expressões faciais e corporais do personagem interpretado por Heath Ledger. Não porque eu fosse fã do ator. Nunca fui. Mas como todo mundo, também sou meio “papa-defunto” e o fato de saber que o cara morreu jovem e com uma carreira promissora pela frente faz com que queiramos aproveitar ao máximo sua derradeira atuação. E ao término do filme não há como evitar a pergunta: Por que desgraçado?! Por que depois de fazer uma interpretação invejável dessas você resolve em um belo dia que precisa tomar uns 10 analgésicos misturados a mais uns 15 ansiolíticos e anti-depressivos? Estava nervoso? Tomasse maracujina, meu filho! Queria se entorpecer? Uma meia garrafa de uísque não daria um resultado melhor?

O negócio é que ele se foi, mas deixou uma atuação memorável como o vilão de Batman. A sensação ao sair do cinema é mesmo de consternação por Ledger não estar mais presente para receber os louros do sucesso. A reação é exagerada? Não. Muita gente morre acidentalmente ou se mata todos os dias. Mas para quem é apaixonado por cinema ver que um ator com tanto potencial nunca mais vai brindar o público com uma bela interpretação é desolador. Já ouvi até alguém dizer que se comove mais com a morte de Ledger do que com a de Isabella! Não vou citar o autor desta pérola e nem vou dizer se concordo ou não (quem me conhece que julgue).

Mas deixando tamanho sentimentalismo às avessas de lado, é impossível não se fascinar com a vilania do Coringa 2008. Eu já costumo gostar de vilões. São interessantes, irônicos, sagazes e mais parecidos com um ser humano normal do que os mocinhos (Se bem que em Batman ninguém é totalmente bom. Todos os personagens têm várias nuances.) Mas o Coringa não é apenas um garoto mau. Ele é quase um filósofo que justifica suas atitudes pelo simples desejo de gerar o caos. Um dos diálogos mais marcantes do filme é aquele em que ele afirma que a morte de soldados numa guerra ou de um indigente qualquer é totalmente aceitável, mas que se alguém resolve balear um prefeitinho qualquer, toda a sociedade se choca e se indigna. É algo que faz pensar: será que nos comovemos com a morte pura e simplesmente ou apenas com a morte de nossos iguais, daqueles que participam de nossa "casta social"?

O Coringa também é o agente que obriga as pessoas a fazerem escolhas que elas nunca gostariam de fazer, como a velha história de ter que escolher entre salvar a si mesmo ou ao seu irmão numa situação de morte iminente. Além do mais o senso de humor ácido e debochado do personagem levava o cinema inteiro a rir, mas não o riso solto e feliz, mas aquele riso de "meu deus como ele é cruelmente pirado" É como se em cada uma de suas aparições o Coringa olhasse para nós e dissesse "Why so serious?", assim como ele faz com aqueles que têm o azar de serem os ouvintes da história de suas cicatrizes. Cheguei a me comover quando ele conta pela primeira vez essa história. Pensei "nossa, fazerem isso com uma pobre criança só podia dar no que deu", mas quando ele narra a história pela segunda vez, com um roteiro totalmente diferente, você pensa "filho da mãe! Eu aqui sentindo pena, mas é só uma encenaçãozinha que ele usa como desculpa para enfiar uma faca na boca das pessoas e aterrorizá-las!" E é isso: o Coringa não vai lhe comover. Você não vai conseguir justificar a maldade dele. A maldade dele é diversão. Nada inocente, mas por pura diversão. É a maldade das crianças que botam fogo no rabo do gato ou dos jovens que jogam ovo nos passantes pela janela do prédio. Impossível encontrar uma desculpa racional e aceitável para as atitudes mórbidas do Coringa. Ao menos o filme não nos dá subsídios para isso. Algumas pessoas criticaram o fato de não haver explicação sobre o surgimento do personagem. Eu não senti falta de tais explicações. É muito mais fascinante vê-lo surgir "do nada", como o vento: não se sabe de onde vem, nem para onde vai. Já o caráter do Coringa pode ser parcialmente explicado pelas palavras do mordomo Alfred, vivido por Michael Caine: “Alguns homens roubam e matam sem nenhum objetivo definido. Querem apenas ver o circo pegar fogo.”

Claro que o roteiro e a direção de Christopher Nolan têm um papel importante no sucesso do Coringa de Heath Ledger. Os diálogos são ótimos e as frases ditas pelo Coringa são cheias de uma sabedoria permeada de humor negro. Mas de nada adianta um belo roteiro se o ator não estiver à altura. E Ledger estava. Até meu namorado que foi ao cinema cheio de preconceitos, pronto para criticar a atuação "daquele ator que já fez filme de veadinho", saiu do cinema admirado! Ledger interpretou o Coringa de forma soturna e assustadora. O jeito de caminhar, com um leve toque de bobo da corte, mas um bobo da corte maligno, de ombros tensos e curvados. O olhar de baixo pra cima, lembrando Alex De Large, o vilão de Laranja Mecânica, no qual Ledger buscou inspiração. Os trejeitos afetados de quem está prestes a explodir num surto psicótico. Os tiques nervosos, o olhar que não se fixa em um ponto, a língua o tempo todo passeando pelos lábios e pelos dentes. Sim, Coringa é um louco, daqueles que devem ser afastados do convívio social para o bem de todos nós. E Ledger passa muito bem essa idéia. Seus cabelos são desgrenhados e oleosos, e ele faz questão de dar uma ajeitadinha (como se fosse adiantar) quando fica cara a cara com a mocinha do filme. As brincadeiras dele são provocativas e de um mau gosto absurdo. Logo em sua primeira cena, ele pergunta: Querem ver uma mágica? (Quando ele fez a mágica, o rapaz da poltrona ao meu lado leva as duas mãos à boca e solta um gemido de espanto e terror. Eu também.) Quer saber de uma? Coringa é um espírito de porco! Mas um espírito de porco inteligente e que quer despertar o lado mais rebelde das pessoas. Quer saber de outra? Ele é um vilão tão fudidamente massa que é bem capaz de você torcer por ele quando assistir ao filme.

Heath Ledger vai ganhar um Oscar póstumo. E, obviamente, não torço por isso só porque ele está morto. Leia mais.

E o Coringa de Batman - O Cavaleiro das Trevas já está na lista dos vilões que nos apavoram e hipnotizam. Sem mais no momento, só me resta perguntar...




Aahhh... Você sabe!
Mais sobre Coringa:

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Os importantes e a essencial


O Dia do Amigo foi ontem, mas não encontrei tempo para escrever sobre o assunto. Inspiração não me falta, já que tenho poucos “grandes amigos”, mas cada um deles renderia um livro de contos, um romance, duas novelas e três minisséries. Então, não importa que o Dia do Amigo tenha sido há quase dois dias. Preciso falar umas duas ou três palavrinhas sobre os amigos mais presentes em minha vida hoje.

Preciso falar da garota linda que me faz lembrar, sem precisar dizer uma só palavra, que não é vergonha alguma estar sempre bem vestida e arrumada como se estivesse pronta para um evento. Aquela com quem eu convivo bastante há uns dois anos, mas mesmo assim ainda me deixa admirada com sua beleza e com o número de palavras que ela consegue falar por minuto. Fala tanto que me deixa tonta, às vezes. Ela fala muito! Muito sobre tudo e mais ainda sobre ela mesma. Mas quando é preciso me ouvir, ela ouve e presta tanta atenção que, tempos depois, lembra, com detalhes, de coisas que eu falei e nem eu mesma lembrava. É a prova viva de que nem sempre os muito falantes são maus ouvintes.

Vou falar com atraso do dia do amigo porque também não poderia deixar de falar do cara que assiste Jô Soares comigo on-line. Eu comentando daqui, ele comentando de lá, os dois falando mal da vida alheia, julgando deus e o mundo e rindo muito com as besteiras que sempre surgem quando dividimos nossas insônias via msn. O amigo a quem recorro quando quero saber algum detalhe sobre determinado filme ou ator. Aquele que faz poemas a jato em homenagem aos amigos e em homenagem às festas que os amigos dão.


Não importa que o dia do amigo tenha sido ontem, pois uma amiga que está sempre pronta a me acompanhar em qualquer aventura ou roubada merece ser lembrada todos os dias. E não pense que ela topa qualquer parada porque seja o tipo de garota doidona e super extrovertida. Nada disso. É bem na dela, uma amante de Drummond, um pouco tímida, que me acompanha na balada fashion, no jantarzinho tranqüilo ou naquele passeio de carro pra fumar e chorar as pitangas. Ela não tem nada de rata de praia, mas foi comigo para um programa de índio, numa pousadinha com sérias restrições orçamentárias, tornando-se assim uma das fadas madrinhas do meu encontro com o príncipe encantado. É aquela amiga que fala baixinho, suave, mas que durante minhas crises existenciais não hesita em falar firme e me fazer lembrar o quanto sou forte e tenho sorte na vida. É uma das pouquíssimas pessoas a quem empresto meus livros, pois é a que mais compartilha comigo meu amor pelas letras.

Tem também aquela que posso passar meses sem ver ou conversar, mas que quando encontro é tudo igual: o mesmo carinho, a mesma admiração mútua, a mesma cumplicidade, e aquela generosidade da parte dela em me dar bons conselhos profissionais e a satisfação genuína que demonstra ao me ver feliz. Uma amiga que trabalha demais, mas que quando consegue reservar um tempinho para mim, a dedicação dela àqueles momentos é total e o astral dela vai lá em cima.

Há mais amigos e amigas que passaram por minha vida e marcaram outros tempos. Há alguns nem tão íntimos assim, mas que admiro e com quem aprendo.
Mas, se alguns amigos são importantes, existe uma que é essencial.
É a única que sempre esteve comigo e sempre estará. Aquela que me acha bonita chorando, mas é a maior beneficiada quando estou feliz. Aquela a quem tive que aprender a aceitar e amar, mas a quem dou muitos puxões de orelha. Aquela que, às vezes, sente ganas de me sacudir e dizer “pára com isso”, mas que comemora com grande entusiasmo cada pequena vitória minha. Aquela que nunca vai deixar de me acompanhar numa ida ao cinema e que sempre vai entender por que chorei naquele momento nada emotivo do filme. Aquela que, no espelho, retribui meus beijos e entende tudo que meus olhos estão dizendo. Aquela que me diz... “É muito bom ser você”!


Leia também: Se você acha que a educação é cara, tente a ignorância

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Mais um espaço para meus rabiscos e opiniões

Escrever é um dos grandes prazeres da minha vida. Escrevo sobre tudo que eu acredite ser capaz de opinar, como você pode conferir no blog que você está lendo agora, no portal Rádio Criciúma, no blog Mulherzinhas e no site Do que elas gostam. Agora vou ter mais um espaço para publicar minhas opiniões, mais especificamente, minhas opiniões sobre os filmes que assisto.
Sou uma das colaboradoras do blog coletivo Amálgama, idealizado pelo escritor Daniel Lopes. Lá darei meus palpites sobre lançamentos do cinema e novidades das vídeo-locadoras. Não serão críticas minuciosas, analisando nuances da fotografia, movimento de câmeras e detalhes técnicos das projeções. (Quer ler esse tipo de crítica de cinema bem completinha? Corre pro blog do Vinny!) Minha proposta é passar a visão de uma apaixonada por cinema, indicando os filmes de que gostei e criticando o que não me agrada.
Meu primeiro texto já está lá. É sobre Hancock, o novo filme de Will Smith que assisti no último sábado. Passe no Amálgama para saber o que tenho a dizer sobre o super-herói bêbado vivido por Will Smith e aproveite também para ler sobre atualidades, psicanálise, cultura, política, literatura, artes, religião e temas gerais.

sábado, 12 de julho de 2008

Juno - uma história incomum feita de personagens comuns!


Quando eu e meu namorado assistimos filmes juntos ele tem a mania de ficar me explicando algumas coisas que ele percebe no filme, tipo um lance de câmera diferente, a fotografia, algo no cenário que pode indicar um desenrolar diferente na história. Eu não acho isso ruim porque eu também adoro prestar atenção nas entrelinhas das tramas cinematográficas. Às vezes ele também tenta adivinhar o que vai acontecer na cena seguinte. Aquelas coisas, “agora ela vai chegar e pegar os dois juntos”, “ai só falta bater o carro agora” ou “eles vão fugir e deixar o dinheiro pra trás”... Normalmente ele acerta em todas as previsões. O legal é que ao assistirmos Juno ele não deu nenhuma bola dentro nas suas tentativas de prever o futuro da trama.

Juno vai além de qualquer lugar-comum que você possa imaginar. Quando você pensa que ela vai fazer isto, ela faz aquilo. Quando você acha que uma personagem vai falar algo que qualquer personagem de Hollywood falaria naquelas circunstâncias, ela fica quieta. Quem imaginaria que uma adolescente que está aparentemente decidida a abortar, desistiria de cometer o aborto por não conseguir parar de pensar no fato de seu feto já ter unhas?

Juno (o filme) retrata a família moderna, que já não se escandaliza com a gravidez de uma filha, mas cujos pais expressam algo que muitos pais pensam, mas não têm coragem de verbalizar. Depois que ficam sabendo da gravidez de Juno, eles comentam, “preferia que ela estivesse usando drogas”. Sim, porque hoje é mais comum que as adolescentes estejam usando drogas do que engravidando. E quem não sabe que uma aventura temporária com drogas pode render muito menos dor de cabeça do que uma gravidez indesejada? Por isso, o pai e a madrasta de Juno aceitam com facilidade que a menina queira gerar o bebê, mas dá-lo para adoção. E ao longo do filme não tem como não pensarmos que todos os contratempos que essa gravidez acarretou poderiam muito bem ser solucionados caso a garota tivesse persistido na idéia do aborto. Não que ela se posicione contra o aborto. Aliás, o filme não faz militância contra, ou a favor, a coisa alguma e a única figura anti-aborto que aparece no filme é uma menina de rostinho delicado e voz suave militando solitariamente na frente da clínica, segurando um cartaz contra o aborto e gritando palavras de ordem como se estivesse empunhando o pôster de um astro da música pop.

Nada é caricato no roteiro de Diablo Cody, nem mesmo a militante anti-aborto. Adolescentes são uma tribo muito retratada no cinema americano e estamos cansados de ver os estereótipos todos lá, como uma receita pronta: o rebelde desajustado, o nerd, o roqueiro, as patricinhas, a menina feia e rejeitada que se transforma na rainha do baile. Juno não tem nada disso. Tanto que a personagem Juno é desleixada e não liga para roupas e maquiagem, mas sua melhora amiga é loira e usa sainhas curtas plissadas e meias três-quartos. O "namorado" de Juno é um garoto que poderia ser o típico nerd, pela sua aparência e jeito de ser, mas é um esportista. Ninguém se encaixa num parâmetro imutável. Exatamente como na minha vida e na sua.

O filme também não tem a pretensão de propor discussões e nem há muito o que discutir após assisti-lo. Mas há muito o que sentir quando sobem os créditos finais. Eu chorei copiosamente, as lágrimas escorrendo pela identificação com a canção final. Porque o grand finalle não é nada daquilo que esperamos. A reviravolta que acreditamos ser certa não acontece, pois Juno não é um conto de fadas. Não há mocinhos ou bandidos e nem há como gostar o tempo todo de qualquer um dos personagens. Até Juno, a personagem principal, nos irrita um pouco às vezes com sua total falta de bons modos. A mulher que pretende adotar o bebê de Juno, interpretada por Jennifer Garner, no início parece uma megera perfeccionista e obcecada por controlar cada passo do marido! Mas ao longo da projeção vamos percebendo que ela é quase que obrigada a assumir o controle da casa, já que seu marido vive uma espécie de síndrome de Peter Pan. Porém também não há como culpá-lo: ele é apenas um homem confuso buscando refúgio nas coisas de que gosta, no caso, filmes de terror, música e uma relação platônica com a adolescente que vai doar seu bebê a ele e à esposa.

Os diálogos e a narração de Juno são tão incomuns e rápidos que fica impossível se desconcentrar durante o filme. Perca uma frase e talvez você terá perdido a frase mais genial da história. O filme é repleto de frases incomuns de serem ditas em filmes, mas muito comuns de serem ditas na vida real e não é possível determinar o ponto alto do roteiro. O que mais me marcou pode não ser aquilo que mais vai chamar a sua atenção. O filme Juno é um filme incomum porque a garota Juno é uma garota comum. Se você encanta-se com a beleza da vida real, você se encantará com Juno.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Dia do Rock

Dia 13 de julho é comemorado o dia do Rock`n Roll, do you know?

O rock pode ser muito resumidamente definido como um estilo musical que une blues, country e jazz, mas rock é muito mais do que qualquer definição possa sugerir.

Estou escrevendo neste exato instante ao som de Lobão gritando "a velocidade terrível da queda"! Isso é rock`n roll. Mas logo em seguida, meu rádio começa a tocar "Semente, semente, semente, semente... se não mente fale a verdade..." e eu jogo o rádio na parede! Isso também é rock`n roll.

E pra você, o que é rock`n roll?


Se você não souber definir o que é o rock (até porque você não vai ganhar nada com isso), pode pensar em algo bem radical para comemorar o Dia do Rock, escrever AQUI e concorrer a um All Star converse.

A foto foi gentilmente cedida por Fran Brighenti, a primeira pessoa que me veio à mente quando pensei em alguém bem rock`n roll para ilustrar este texto.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Elas devem estar orgulhosas!



Esse site faz um reconhecimento facial e mostra com quais celebridades você se parece. Aí estão as celebridades que se parecem comigo. Adorei a brincadeira! Já que estão me comparando a Romy Schneider não vou reclamar, né? Achei bem mais legal do que brincar com o make me babies (aquele site que mescla o rosto do casal e dá uma sugestão de como poderá ser o filhote) porque ao menos não tive o trauma de ver aqueles bebês horrorosos que fariam qualquer um desistir de procriar!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

De onde vêm as cuecas?

Usamos dezenas de objetos ao longo do dia e nem paramos para pensar como e onde eles são feitos, quem os fabrica, por que foram inventados. Você já parou para pensar que em algum lugar, neste exato instante, há alguém fabricando embalagens de shampoo, prendedores de roupa, cabides, pilhas, espirais para cadernos? (Sim, essas coisinhas não “se fazem” sozinhas. Existe até gente que é rica só por conta de fábricas de espirais para cadernos, veja só!) Objetos que nos são úteis, mas raramente olhamos para eles e pensamos que existe gente que ganha a vida produzindo aquele objeto, ou parte dele, e que há uma história por trás de todas essas coisas prosaicas que participam da nossa vida. Se raramente paramos para pensar nisso, tanto mais raro seria irmos à busca da história que um determinado objeto possa contar.


Mas como nesse mundo sempre há algum aventureiro disposto a colocar em prática as mais mirabolantes idéias, certo escritor neozelandês, chamado Joe Benett , resolveu se perguntar qual seria a história escondida nas cuecas que ele comprou em uma loja na Nova Zelândia. Não contente em apenas meditar sobre o assunto, ele decidiu viajar até a China (local de fabricação das peças que havia comprado) para conhecer todo o processo de produção de sua roupa íntima. Joe esteve em Xangai, na Tailândia e no oeste da China, nas plantações de algodão. Conheceu centenas de pessoas responsáveis pela fabricação, distribuição e exportação de suas cuecas e dessa saga, voilà!, nasceu um livro intitulado Where Underpants Come From (De onde vêm as cuecas).

Joe afirma que teve curiosidade de saber como eram fabricadas as cuecas porque acredita que no Ocidente as pessoas não sabem explicar de onde vêm as riquezas e bens dos quais usufruem. Ele tem razão. Vivemos alheios às origens da maioria das “ferramentas” que utilizamos em nossas casas, por exemplo. Gostamos de falar da humanidade generalizando todas as conquistas e descobertas do homem. “Nós descobrimos o fogo”, “nós chegamos à Lua”, “nós dominamos as tecnologias”. Mas a verdade é que NÓS pouco ou nada participamos dessas conquistas. Na entrevista ele diz que se a eletricidade parasse de ser gerada não seria ele quem a faria funcionar outra vez. Pois eu respondo, nem eu! A maioria de nossas conquistas está nos campos dos pequenos desafios do cotidiano: pagar as contas, fazer supermercado, arrumar um emprego, ganhar um aumento, ensinar um filho a andar de bicicleta, tirar uma boa nota na monografia, conseguir perder cinco quilos, aprender outro idioma.

Por isso que temos que valorizar muito os “caras” que enfrentaram oceanos para desbravar novas terras ou aqueles que dedicam suas vidas em cálculos e engenharias para conhecer o Universo; os cientistas com suas pesquisas em busca da cura da melhoria da qualidade de vida do ser humano; os “Darwins” do mundo que se embrenham por ilhas inóspitas para fazer florescer o conhecimento humano; os artistas, que de tão dedicados em captar a essência da beleza e da forma acabam por deixar uns parafusos no meio do caminho; os escritores obstinados que se arriscam a perder meses, às vezes anos, para pôr uma história no papel sem ao menos saber se terão leitores.

Somos desbravadores do dia-a-dia, e normalmente não gostamos de pessoas obcecadas por qualquer coisa, mas temos que agradecer aos milhares de cabeças-duras obcecados que tornaram nossa vida muito mais fácil hoje!


A Bia me indicou a reportagem que se transformou neste post. Visitem a Bia!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Apresento-lhes a Minha Geladeira!


Resumo rápido da história. 9 blogueiros de renome ganharam um presente: uma mini-geladeira verdinha, com uma garrafa do hidrotônico i9, bebida recentemente lançada pela Coca-cola.
Os tais blogueiros não eram obrigados a falar bem da bebida ou divulgar a ação. Quem quisesse divulgar, divulgava. Mas como a estratégia de marketing era legal (diferente, inédita) a maioria deles divulgou, até porque alguns são blogueiros e publicitários. Além do mais, se você ganhasse um mimo estiloso, fosse de uma grande empresa, fosse do boteco da esquina, você também não iria querer dividir a “notícia” com seus leitores?

Até aí tudo bem, o problema é que um determinado site chamou os blogs presenteados de blogs-de-aluguel e houve uma indignação geral. Uma frase do Cardoso resume bem a questão “se sua mãe ganha uma camiseta da Nike e a usa, ela é considerada uma mãe de aluguel?” A polêmica tomou proporções grandes e gerou vários posts sobre o assunto e inclusive o manifesto Eu não sou blogueiro de aluguel.

Muito já foi dito sobre a história e se você quiser saber mais é só seguir os links que estão ao longo do texto.
Mas seguindo o meme (espécie de corrente) do Dia de Folga resolvi também mostrar aqui a minha geladeira.
A minha geladeira fazia parte do meu enxoval. Depois que voltei para casa, levei-a junto e minha mãe ficou usando duas geladeiras na cozinha. Quando novamente tive que montar meu ninho, a geladeira me acompanhou. Eu adoro ímãs de geladeira e ainda não tenho tantos quanto eu gostaria. Meu preferido é um com a seguinte frase, atribuída a Gary Cooper: “E O Vento Levou vai ser o maior fracasso da história de Hollywood. Ainda bem que é Clark Gable e não Gary Cooper quem vai entrar bem.”

A minha geladeira tem um vidro de biscoitos – sempre vazio – em cima dela. Eu deixo bilhetinhos e anotações na porta da minha geladeira. Mas às vezes eu esqueço de olhar os lembretes e as anotações que colo na porta da minha geladeira. Minha geladeira é da Cônsul (só sei disso porque acabei de olhar) e quase sempre minha geladeira só tem iogurte. Eu já varri poeira pra baixo da minha geladeira.

Esta é a minha geladeira! E aí, me mostra a sua?

Engraçadona no teste de inglês

Semana passada saí para trocar a pilha do controle da garagem. No meio do caminho tinha uma escola de inglês. Logo lá estava eu - numa sala com frases como Good Mornig, Excuse me e What`s the meaning of... , pintadas na parede - fazendo testezinho para saber em qual nível do curso de inglês eu me encaixaria.

Tentei usar a criatividade e a auto-ironia que meus conhecimentos da língua inglesa permitiam para produzir uma pequena redação about my job.

Saiu isso.


Não sabia que eu era capaz de fazer piadas sobre mim mesma em inglês. Bom, a teatcher riu.


“Talento é extremamente comum. O que é raro é força de vontade para suportar a vida de escritor. É como fazer o papel de parede da Capela Sistina com as mãos”.
(Kurt Vonnegut)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Projeto de lei pode barrar o crescimento da Internet no Brasil


Trecho do manifesto do sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira sobre o projeto de lei que pode vir a criminalizar o ato de baixar arquivos da internet ou utilizar trechos de informações e notícias de veiculos on-line.


"Um projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância. Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. (...) Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime.

Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime.Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI."


(Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo)





Quer saber mais?




domingo, 6 de julho de 2008

Nota 10 garantida ou seu dinheiro de volta!


Querida leitora, você se deu mal no primeiro semestre da faculdade este ano?
Não deixe que isso se repita no próximo semestre!!!





Método testado, aprovado e garantido. Vai com fé!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A primeira impressão é a que fica!


Hoje a Ciça me indicou um blog e lá fui eu conferir. Que ótima surpresa! Primeiro ri muito com este texto sobre vício em internet. Mas o mais engraçado foi o comentário da Ciça, que nem comentou o post, só ficou exibindo a performance do namorado!

Como tinha gostado do primeiro texto fui procurar outros para ler. Encontrei um intitulado: Seja um fiel Multinível!, ou, Quer ter fé? Pergunte-me como!

Nem preciso dizer que escolhi esse para ler, né? Ri mais ainda!!!! Em alto e bom som. E pedi para reproduzir o texto em meu blog. O autor autorizou-me, mas mesmo assim vou deixar aqui só o início do texto para que vocês sejam obrigados a visitar o blog dele. Aproveitem e leiam os comentários também. Leiam tudo, aliás, "de cabo a rabo" porque o blog é muito bom!

Aí está o texto do "eu e meu ego grande":

"Ontem de dentro de um ônibus aqui na cidade que eu estou, cujo nome será preservado para que os moradores leitores do blogue não se sintam ofendidos, vi uma igreja. Um igreja evangélica (ou evangélhica, conforme a raiz da palavra?). Até aí, nada de anormal. Rato, barata, judeu, flamenguista e Igreja Universal tem em qualquer cidade do mundo. Só que essa tinha algo de diferente. O nome da igreja era “Igreja Pentecostal União de Deus da Primeira Impressão”… Pois é, leitor amigo. Entendeu? Nem eu. Porém, não precisei lançar mão de toda a minha cara de babaca idiota pra perguntar nada. Um sujeito na cadeira da frente perguntou pra moça que tava com ele, que pela convicção deve ser devota de lá. Pois disse a irmã que “mas não percebeu? A Primeira impressão é a que fica! E é isso que nós queremos! Que Jesus fique nas pessoas! Cole e grude nas pessoas!”. Imaginei um Jesus carente de amigos, chato, atrapalhando até as reuniões mais íntimas com a sua eterna mania de grudar nas pessoas.(...)"



Gente, vou ali na farmácia e já volto!


Querida leitora, se a nova moda da Suécia pegar por aqui, você não precisará mais vestir aquele capote preto de filme noir para se embrenhar em uma sex-shop em busca de algo que lhe "console" nos momentos de solidão!!!

Na Suécia, algumas farmácias estão vendendo pênis de plástico!

O preço é um pouco salgado: o equivalente a 265 reais! Mas quem quiser gastar pouco pode se contentar com um anel vibrador de 23 reais.

Os produtos são fabricados e distribuídos por uma empresa estatal e várias farmácias lá já estão vendendo todo o kit de brinquedos eróticos.

Os funcionários das drogarias fizeram até um treinamento especial para orientar o clientes que tenham dúvidas.

(Pausa para você imaginar os funcionários fazendo a demonstração dos produtos!)


O nome do kit erótico se chama Lust in Trust: Confie na Luxúria.


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Tira tudo, em nome de Jesus!


Olá, pessoas bonitas, charmosas e simpáticas!

Resolvi deixar os comentários sem moderação e até permitir anônimos. Mas aí o problema é que não dá pra encontrar esses anônimos ou aqueles que só assinam o nome, mas não deixam nenhum endereço de e-mail ou de página da web, para responder a eles. Então, estou respondendo na minha própria caixa de comentários. Vou tentar fazer isso sempre e já comecei. Quem quiser ler minhas respostas para um certo "General Batista" e para a Fabiane (que foi professora de escola dominical), clique AQUI!

Mas, falando em generais, um outro leitor, que também se identificou como "general" (está parecendo época da ditadura isso aqui), o General K, deixou o seguinte comentário:

"Creio que sua visão sobre os cristãos pode ser modificada."

Só isso. Não explicou mais nada, mas deixou o endereço de um site. Ok, lá fui eu, animadíssima, conferir os argumentos que poderiam transformar minha visão sobre o cristianismo. E o que encontro?...

Tcharããããmmmm:

"Somos um grupo de evangélicos de diferentes denominações que descobriram na prática naturista uma forma de desenvolvimento pessoal, de comunhão mais profunda ou, em alguns casos, apenas uma saudável opção de lazer. Apesar do direcionamento evangélico, estamos abertos a cristãos de todas as correntes, já que não acreditamos na discriminação."

Entenderam? O autor do comentário disse que a minha visão dos cristãos pode mudar!!!!
Mas, é claro, a partir do momento em que eu vir os cristãos peladões curtindo uma prainha e repartindo o pão é claro que minha visão deles vai mudar!

Desculpe, General K, mas é que não consegui deixar de achar algo muito *sui generis. Não que eu tenha algo contra os naturistas, mas eu gosto muito de usar roupas e tudo mais. Tudo bem que não descarto fazer top-less na Riviera Francesa, mas seria uma situação atípica. De modo geral, tornar-me uma naturista cristã seria unir o INÚTIL ao DESAGRADÁVEL!

Obs.: Entendo que os naturistas (cristãos ou não) não são libertinos ou depravados e que eles não praticam o naturismo para excitarem-se, mas por um estilo de vida.

Quem quiser se converter pode começar visitando o site: NATURISMO CRISTÃO

Mas nem se empolguem porque não tem fotos da galera desnuda, viu!


*Sui generis: Sui generis significa literalmente "de seu próprio gênero", ou seja, "único em seu gênero". Usa-se como adjetivo para indicar que algo é único, peculiar: uma atividade sui generis, uma proposta sui generis, um comportamento sui generis. (fonte: Wikipedia)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

"Repórter Inexperiente" escreve sobre o perdão de Padre Marcelo


Danilo Gentilli, o "repórter inexperiente" do CQC, entrevistou o Padre Marcelo Rossi em um dos programas. Danilo fez as brincadeirinhas de praxe que já havia feito com outros entrevistados. Ele se apresenta como um repórter nervoso e atrapalhado e faz perguntas irônicas, bobas e de duplo sentido. Durante uma entrevista com a Gretchen, por exemplo, ele perguntou sobre o filme "pornô evangélico" que ela teria feito!

Alguns entrevistados se mostravam impacientes, outros tentavam ajudar o repórter a superar o nervosismo. Padre Marcelo foi um dos que tentou ser todo solícito com Danilo, mas depois, quando soube que era tudo uma brincadeira, ficou um pouco chateado e nem quis assistir ao programa. Há alguns dias, em uma entrevista ao Portal Terra, Padre Marcelo afirmou que perdôou o repórter, mas que acredita que não se deve brincar com religião.

Danilo Gentilli tem um blog e vale a pena ler a resposta dele ao perdão concedido por Padre Marcelo! Deixo um trechinho aqui para vocês...

"Confesso que no fundo, as vezes tive vontade de brincar com religião, pois pensava que a religião, assim como as festas folclóricas, os rituais de tribos, as manifestações culturais, a política, fossem coisas criadas pelos homens, e pra mim, se algo foi criado pelo homem, esse algo é falho. E se algo é falho, é digno de crítica, de análise, de humor, de comédia e de questionamento. Perdoai minha ignorância."

Mas vale a pena dar um clique ali embaixo e ler - na íntegra - o ótimo texto de Danilo:




No texto, o repórter do CQC faz também referência às reportagens que gravou na Marcha para Jesus e no Congresso Nacional.


Leia também:

terça-feira, 1 de julho de 2008

Resposta aos leitores - Hipocrisia evangélica: meu alvo preferido!


Recebi e-mail de um leitor do blog dizendo que apesar de concordar com minhas opiniões em relação ao povo evangélico, não apóia minha posição de publicar os textos que publico, pois eles [os textos] são um pouco preconceituosos.

As palavras foram as seguintes:

"Em relação à opinião, na maioria deles eu concordo (...) Mas não me sinto a vontade de incentivar esse tipo de mensagem por vários motivos. Em relação ao conteúdo, é por causa de brigas entre religiões que famílias, amigos, cidades e países fazem guerras. Além de normalmente conter um "cheirinho" de preconceito em relação a escolha espiritual de cada um. Sinceramente, sou mais adepto de textos que falam da hipocrisia humana e instantaneamente nos fazem pensar em todos os aspectos de nossa vida, inclusive o religioso."

Eu respondi o e-mail, mas depois ainda fiquei "ruminando" sobre o assunto. (Adoro essa palavra, "ruminando", como sinônimo de pensando ou analisando!)

E resolvi compartilhar com vocês algumas de minhas elucubrações, até para esclarecer melhor o porquê de eu pegar tanto no pé das ovelhinhas de Jesus.

Sobre brigas entre religiões
Eu não tento converter ninguém ao ateísmo.
Se você for meu amigo e compartilharmos uma garrafa de vinho e um papo animado, provavelmente você vai me ouvir falar animadamente sobre as coisas que me empolgam. O ateísmo é uma coisa que me empolga. (Cada louco com a sua loucura.)
Também me empolgo com Poderoso Chefão, as aventuras de Marty Mc Fly, roupas e sapatos, bijoux lindas a preço de banana, blogosfera, Beatles, meus sobrinhos, luas cheias... E umas tantas outras coisas. Mas sim, como qualquer ser humano normal, eu gosto de conversar sobre os assuntos de meu interesse. E como qualquer blogueiro/escritor normal, gosto de "falar" com meus leitores sobre coisas que me interessam e que possam também interessar a eles. Afinal, escolhemos os blogs que lemos e se você está aqui não deve ser para olhar meus lindos olhos verdes... Se quiser ver meus lindos olhos verdes, é melhor ir AQUI !

Então, isso é o que eu faço: eu escrevo. Escrevo a favor do que gosto e acho certo e contra o que não gosto e acho errado. Eu não entro na sua casa e jogo sua bíblia fora, não faço passeatas em frente a colégios cristãos para que não haja mais orações nas escolas, nem respondo perguntas de meus sobrinhos sobre deus e religião, muito menos brigo com meu irmão porque ele é evangélico ou me revolto quando na ceia de Natal meu pai conduz uma oração!

Eu escrevo, apenas. Não são os meus textos que vão incitar brigas religiosas entre famílias. No máximo, vão incitar brigas verbais entre eu e leitores que não concordem comigo! Além do mais, se as únicas armas de rixas religiosas fossem as palavras escritas, o mundo estaria um pouco mais perto da perfeição.

Sobre meu suposto preconceito contra as escolhas espirituais de cada um
Preconceito é quando formamos um conceito sobre determinada pessoa sem ao menos conhecê-la ou conhecer suas idéias. Eu não tenho pré-conceito contra os evangélicos. Eu tenho um pós-conceito. Especialmente quando se trata de determinados tipos de evagélicos: quando vejo um crente, líder de célula, que gastaria metade do seu salário anual para ir a um congresso do Apóstolo Renê Terra Nova, eu sei, mais ou menos, como funciona a escala de prioridades de tal indivíduo.

Eu sei a motivação que faz com que os cristãos evangélicos lhe convidem para participarem do café colonial que a igreja deles está promovendo. Eu vi maridos que não tinham um tostão para comprar uma lembrancinha de aniversário para a esposa, mas arranjavam dinheiro para ir a todos os congressos que a igreja promovesse. Eu vi pastoras dizendo que quando o homem trai, a culpa é toda da mulher.

Eu convivi com jovens que reprimem sua sexualidade e acabam casando apressadamente, sem a devida condição financeira. Eu vi mulheres que usam o culto de domingo para exibir o novo sapato e não param para pensar que muitas das suas irmãzinhas sustentam a família com pouco mais do valor pago por aquele calçado.

Eu vi pessoas orando com imposição de mãos e dando uma empurradinha no incauto que recebia a oração (afinal, quem consegue derrubar alguém enquanto ora pela pessoa tem o maior status). Eu conversei com gente super angustiada porque não conseguia falar em línguas. Eu estava presente nas muitas reuniões da liderança da igreja (os santos, os 12 do pastor, os escolhidos por Deus para guiar aquele rebanho) em que a fofoca bateria qualquer salão de beleza.

Eu vi e vivi muita coisa nos 4 anos em que fui membro de uma igreja neo-pentecostal. Portanto, com relação aos evangélicos, eu posso até generalizar, mas eu não tenho preconceito. Apenas compartilho minhas opiniões baseada naquilo que presenciei e vivi. Na verdade, assim como os evangélicos dizem que amam o pecador, mas não amam o pecado, eu poderia dizer que eu amo os evangélicos, só não amo suas crenças. Mas acredito na recuperação deles. Acredito que eles possam ser reabilitados a viver em sociedade. Eu sou a prova viva!

Sobre textos que falem da hipocrisia humana de modo geral
Foco. Foco. Foco. Quem gosta de escrever e procura ler dicas para escritores ou blogueiros, sabe que isso é lugar-comum: tenha um foco.

Se posso focar, por que vou generalizar?

Então, minha escolha em termos de hipocrisia é falar sobre a hipocrisia dos evangélicos! É a hipocrisia que mais tenho conhecimento de causa. Enxergo outras hipocrisias, é claro, a vida é cheia de situações em que a hipocrisia reina, o mundo é repleto de hipócritas, mas a minha hipocrisia preferida é a dos "irmãozinhos" da Igreja.


Leia mais: