Dizem que homem nem sabe o que é celulite. Bom seria. Você acha que no alvorecer do século XXI, no país que só perde para os Estados Unidos em número de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, alguém não sabe o que é celulite? Até as crianças já sabem, imagina os homens. Quem ignorava mesmo a existência dos malditos furos eram nossas mães. (Aquelas nascidas no máximo até 1955, para ser bastante precisa.)
Envelhecia-se mais tarde nos tempos de nossos pais. Não em responsabilidades. Eles casavam cedo e aos 30 anos já tinham uma família formada, com uns 3 bacuris enchendo o saco. Eles não viviam essa adolescência prolongada ad infinitum que nossa geração vive. Não falo só da galera dos 20 e poucos não. Conheço uns “quase-quarentões” que ainda vivem de balada em balada, de bebedeira em bebedeira, morando com os pais e achando que é muito cedo “para se amarrar”. Não julgo, nem acho que a partir de certa idade você não pode mais pisar numa boate ou morar com os pais, com a vó, com a tia, com o diabo a quatro. (Se bem que namorado morando com a mamy é deprimente!)
Nossos pais não tiveram esses arregos que temos hoje e nem queriam ter, na verdade. Desde cedo sonhavam em casar, sair de casa, constituir família, tornar-se um profissional de sucesso e pai/mãe de família respeitado. Como dizia Nelson Rodrigues, antigamente os jovens ansiavam por ser velhos, muito velhos. Quanto mais velho, mais respeitado. Mas ao mesmo tempo em que entravam cedo na vida adulta e enxergavam enormes diferenças entre a adolescência e os 20 e tantos anos, nossos pais não notavam a velhice chegando. E por não vê-la, ela demorava a se fazer presente.
Minha mãe, com minha idade, já tinha dois filhos, mas garanto que ela se achava muito mais jovem e bela do que eu. Imagina se aos 28 anos ela estava reparando nos primeiros pés de galinha que surgiam no seu rosto? Nada! Ninguém perdia tempo com essas coisas. Que rugas? Que celulites? Elas não existiam para nossos pais. E, ponderando filosoficamente, algo no qual você não repara, não existe! Então eles demoravam mais a envelhecer do que nós. Hoje somos adolescentes tardios, usando all stars, indo para as baladas, morando com papai e mamãe e colocando botox antes do 30. Tenho nojo quando vejo uma menina de 25 anos falando que está ficando velha e esticando a cara com as mãos. Somos patéticos.





