sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mamãe não sabia o que era botox. Mamãe é que era feliz.

Dizem que homem nem sabe o que é celulite. Bom seria. Você acha que no alvorecer do século XXI, no país que só perde para os Estados Unidos em número de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, alguém não sabe o que é celulite? Até as crianças já sabem, imagina os homens. Quem ignorava mesmo a existência dos malditos furos eram nossas mães. (Aquelas nascidas no máximo até 1955, para ser bastante precisa.)

Envelhecia-se mais tarde nos tempos de nossos pais. Não em responsabilidades. Eles casavam cedo e aos 30 anos já tinham uma família formada, com uns 3 bacuris enchendo o saco. Eles não viviam essa adolescência prolongada ad infinitum que nossa geração vive. Não falo só da galera dos 20 e poucos não. Conheço uns “quase-quarentões” que ainda vivem de balada em balada, de bebedeira em bebedeira, morando com os pais e achando que é muito cedo “para se amarrar”. Não julgo, nem acho que a partir de certa idade você não pode mais pisar numa boate ou morar com os pais, com a vó, com a tia, com o diabo a quatro. (Se bem que namorado morando com a mamy é deprimente!)

Nossos pais não tiveram esses arregos que temos hoje e nem queriam ter, na verdade. Desde cedo sonhavam em casar, sair de casa, constituir família, tornar-se um profissional de sucesso e pai/mãe de família respeitado. Como dizia Nelson Rodrigues, antigamente os jovens ansiavam por ser velhos, muito velhos. Quanto mais velho, mais respeitado. Mas ao mesmo tempo em que entravam cedo na vida adulta e enxergavam enormes diferenças entre a adolescência e os 20 e tantos anos, nossos pais não notavam a velhice chegando. E por não vê-la, ela demorava a se fazer presente.

Minha mãe, com minha idade, já tinha dois filhos, mas garanto que ela se achava muito mais jovem e bela do que eu. Imagina se aos 28 anos ela estava reparando nos primeiros pés de galinha que surgiam no seu rosto? Nada! Ninguém perdia tempo com essas coisas. Que rugas? Que celulites? Elas não existiam para nossos pais. E, ponderando filosoficamente, algo no qual você não repara, não existe! Então eles demoravam mais a envelhecer do que nós. Hoje somos adolescentes tardios, usando all stars, indo para as baladas, morando com papai e mamãe e colocando botox antes do 30. Tenho nojo quando vejo uma menina de 25 anos falando que está ficando velha e esticando a cara com as mãos. Somos patéticos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O tal do nu artístico

Lá pelos idos da década de 80 e início dos anos 90, as atrizes que posavam para a Playboy justificavam-se dizendo que as fotos eram artísticas. É um "nu artístico", diziam altivamente. Dava a impressão que estavam posando para um Botticelli. Ninguém falava em dinheiro. Contavam aos quatro ventos que aceitaram tirar a roupa porque era um trabalho bonito e vestiam um personagem. Era mais uma oportunidade de interpretar, afinal.

Não sei ao certo quem começou essa moda de dizer que posou nua porque a grana era boa, mas creio que foi Adriane Galisteu. Lembro de algumas pessoas elogiando, "isso aí, ela tem personalidade, falou que fez por dinheiro e pronto". A partir daí virou clichê. Todo mundo posa nua para garantir um pé de meia, porque o dinheiro é bom, porque a proposta foi financeiramente irrecusável. A frase "é uma boa grana" substituiu o "é um nu artístico" e agora já começo a bocejar quando vejo uma capa de Playboy falando que fez as fotos por dinheiro mesmo, como se estivesse fazendo uma confissão inédita e revolucionária.

Revolucionário mesmo seria aquela que dissesse "posei pelada porque eu quis, tava super a fim de mostrar a perseguida e faria mesmo se fosse de graça"! Revolucionário e sincero porque qual é a mulher que nunca quis ser capa de revista, alvo de todas as atenções e ficar maravilhosa em fotos feitas por um fotógrafo que entende do assunto? Claro que não são todas que, por conta desse desejo, aceitariam se expor nua em uma revista, mas umas fotos chiquérrimas e photoshopadas só para guardar ou para mostrar para as amigas e o namorido, você não gostaria de ter? Fiz essa pergunta a algumas amigas e muitas delas disseram que nudez total não fariam mesmo se fosse para guardar as fotos em casa. Mas a maioria concordou que toparia posar semi-nua.

Se bem que isso não vem tanto ao caso porque a questão aqui é: quem tira a roupa pra sair em uma revista que vai circular pelo país inteiro pode até exigir um bom dinheiro, mas que está a fim de fazer, está! Ora, ou vai dizer que estavam todas passando fome e precisavam desesperadamente daquela "grana maravilhosa"? Não, né! Acharia muito mais digno se dissessem que posaram porque o dinheiro era tentador, mas também porque estavam super a fim de fazer, de ter fotos lindas, por causa da publicidade, para aumentar o cachê em eventos, comerciais e desfiles, enfim, para chamar a atenção. Claro que as atrizes que fazem Playboy pensam em todas essas alternativas.

Pois bem, mas a história clássica de posar por grana não pode ser contada quando se trata da VIP. A revista VIP não paga cachê nem para as capas. A última edição trouxe Giovana Antonelli no ensaio principal. Giovana nunca havia feito ensaios sensuais e está com 32 anos. Quando perguntada porque resolveu fazer o ensaio agora, neste momento de sua vida, ela conseguiu dar uma resposta que supera até o papo do nu artístico dos anos 80: "aconteceu muito naturalmente. Estou plena, sou mãe, a carreira anda maravilhosa". Como assim, Bial? Por "estou plena" ela quis dizer "estou com 32 e é melhor fazer sensual agora antes que caia tudo?" Não que depois dos 32 tudo caia, mas ai, essas respostinhas bonitinhas cansam. Você acorda um belo dia de manhã, olha para seu filhinho lindo e pensa, "ó, estou tão plena, já sou mãe... Está na hora de fazer VIP". Gente, vamos dizer com todas as letras: sou vaidosa, quero aparecer, quero que falem de mim, é uma jogada de marketing, quero ser capa da revista, quero ser a bola da vez! Mas não, imagina... Desnudar o corpo, pode. O ego, nem pensar!


Outras coisas:

Agora tenho um selinho, vocês viram? Quem quiser fazer uma propaganda pro Heresia Loira e ainda deixar o seu blog mais bonito com o selinho feito pelo De França, meu amigo de twitter, é só copiar o código em HTML e colar na barra lateral do seu blog.

Um agradecimento especial à Samira que me passou este outro selo dizendo que meu blog é Saboroso. Valeu querida!


Meu texto sobre o filme A Outra, com Sacarlett Johansson e Natalie Portman, já está no Amálgama. Acesse e leia Perdendo a cabeça com as irmãs Bolena